5 de Outubro de 2012

A epopeia de Isadora

Posted in Educação às 18:49 por sidneif

Sobram intelectuais a considerar que a educação é fundamental para o desenvolvimento do país. Também não falta quem esgrime contra a precariedade das escolas brasileiras. Mas iniciativas concretas para alcançar uma educação decente são poucas. Tão raro que a atitude da estudante catarinense Isadora Faber (apenas 13 anos), com sua página no Facebook (Diário de Classe), em vez de ser um diapasão de conduta para toda a sociedade, é vista como surpreendente e relevante para uns e assustador e ameaçador para outros.

A iniciativa de Isadora foi uma inopinada sacudida na desfaçatez das autoridades públicas e na letargia dos profissionais da educação.

Governos são acostumados a tratar superficialmente a educação. É inaugurar uma escola ali, uma creche acolá (aliás, impressionante como os candidatos, nas eleições, falam de creche quando são instados a falar de educação, parece que o tema se resume apenas a isso) . Não espere deles esforços para dar às escolas infraestrutura adequada nem preocupação com o sistema pedagógico e a valorização e capacitação dos professores.

Já os professores parecem viver o estado “ ser professor é isso mesmo, não há o que fazer nem posso ser contestado”. Isadora nos diz que há o que fazer. E muito. O movimento suscitado pela jovem estudante deveria ser encampado pelos profissionais da educação. É instrumento legítimo para reivindicar soluções e a devida valorização da classe.

Sim, a menina questionou professores. Porém, isso não deve ser encarado como invectiva. A classe precisa fazer autocrítica – se há profissional sem condição de lecionar, esquivar-se da responsabilidade não ajudará a classe ( nem o professor em questão) . É melhor assumi-la, tentar resolver o problema (reciclagem, ajudá-lo a se prepara melhor) . A classe quando reflete sobre as suas mazelas tende a crescer. Corporativismo não torna a profissão valorizada. Bons profissionais trazem respeito à classe.

Outra causa importante para o desleixo da educação no Brasil está no seio da sociedade. Famílias pouco estimam a escola. Estudar é somente o ato de “passar de ano”. Aprender é algo menor. As condições da escola e dos professores são ignoradas. Pouco se interessam pelos conselhos de classe. Às vezes, a leniência dos pais tem efeito pior – crianças e adolescentes violentos e sem noção de limite. Nas famílias de baixa renda, a pouca escolaridade dos pais agrava a situação, pois  não sabem como cobrar os filhos e a escola e/ou não entendem  a relevância dos estudos.

O resultado da nossa tamanha irresponsabilidade para com a educação é a má formação do corpo discente, jovens que ostentam diplomas, mas são totalmente despreparados.

E o futuro do movimento encetado pela Isadora? Está em nossas mãos – professores, pais e alunos, a sociedade como um todo. E se começa aprendendo uma coisa: estudar não se resume a notas, nem a passar de ano, aprender é adquirir conhecimento, ser capaz de ler, escrever e pensar.

Anúncios

3 de Junho de 2011

Entender e ser entendido

Posted in Educação às 12:59 por sidneif

A língua portuguesa nunca foi tão discutida,o formal e o informal em confronto. Pelo menos a celeuma em torno do livro Por Uma Vida Melhor permite avaliar o papel da língua e da escola.

O livro da educadora Heloísa Ramos ameniza erros de português. É óbvio que não descarta a língua formal – julga de bom alvitre aprendê-la -, mas taxa de preconceito qualquer ato que condene desleixos com o idioma.

Mesmo que o intento da autora seja evitar o desprezo a quem não teve acesso a uma educação decente, a obra desestimula o aprendizado, leva alunos e pais a serem lenientes com a dedicação aos estudos, a escola fica cada vez menos importante. Por que ter apreço pela língua formal, se qualquer jeito de se expressar é válido?

Não se pretende por no índex a linguagem informal. Ela está presente no cotidiano de todos (inclusive nas classes mais escolarizadas, o que torna, além de vil, hipócrita o preconceito). Todavia, referendar a gramática nada tem a ver com afetação de puristas da língua, passa longe de distinção social. Aprender a língua formal (apesar de desastrosas reformas) é ter condição de saber o que ler, é poder  escrever de forma inequívoca, a chance de  expor suas ideias e transmitir seu conhecimento com clareza. Em suma: entender e ser entendido distintamente.

Tal “privilégio” da lingua é missão da escola oferecer ao seu corpo discente. Mas a péssima educação brasileira cria um  um aluno que não entende a importância de aprender a última flor do lácio, apenas ver um imensidão de regras que precisa decorar para ter êxito nas provas, passar de ano.

Como é praxe nas escolas brasileiras,  aprender mesmo é desnecessário, uma platitude.

14 de Junho de 2010

vigilante poeta

Posted in Educação às 11:24 por sidneif

Os livros não faziam parte do  seu mundo.  A escola era um fardo. Estudar   nunca se lhe afigurou um mister.

O filho de pescador cresceu, viu o lado feio da vida.  Errou o que podia errar.

Sucessivos acidentes aconteceram, marcaram o  corpo e a alma.

Mas um dia (sempre há um dia de oportunidade) alguém (sempre há alguém quando abrimos os olhos) acenou-lhe com um livro.

O livro o resgatou. A poesia o libertou.

Voltou a estudar, encetou a escrever poemas. O vigilante virou colega de Alcides Buss, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa…

Agora, prepara-se para o vestibular – sonha fazer o curso de Letras – , corre atrás de patrocínio para lançar seu livro.

Não posso prever o futuro do poeta. O cidadão Luciano Xavier, todavia, já é um vitorioso.

14 de Dezembro de 2009

Leitura em casa

Posted in Educação às 09:07 por sidneif

Aversão à leitura. Fato presente em abundância nos lares, nas escolas, nas universidades brasileiras. Em todas as classes sociais.

O abismo entre o brasileiro e a arte de ler é resultado da educação de má qualidade que as escolas oferecem – crianças crescem sem saber ler corretamente ou presas nas teias da cultura da decoreba -, falta de bibliotecas – as poucas que existem não são valorizadas – e ausência de leitura no ambiente familiar.

O dois primeiros motivos expostos são bastante conhecidos nossos. A solução  conhecemos bem. Podemos e devemos a começar a mudar nos aproximando de fato das escolas, das bilbiotecas, também não seria nada ruim , nada mesmo, sermos mais responsáveis nas  próximas eleições. O terceiro motivo se afigura o menos levado em conta. Ou quando  o é procede-se de forma errônea.

Ter uma acervo em casa ou os pais serem leitores não são suficientes para despertar o interesse da criança. Ela precisa fazer parte do ambiente de leitura, não apenas espectadora. Um bom parâmetro para entender isso é a televisão.

A televisão está presente em todos os lares. Em muitos lares, apreciá-la é o único momento para o  qual a família está reunida. Grudados na tela, os pais  interagem com a programação – externam indignação, o desapontamento, reagem a uma cena de filme ou de novela, emoções afloram. Os filhos os observam, querem fazer parte daquele universo que hipnotiza os pais.

E a televisão facilita as coisas. A caixinha ( cada vez mais fina) de som e imagem fala direto com a garotada, sem intermediários. Os resultados são   a galeria de personagens povoando a imaginação  e as brincadeiras infantis, um   público da telinha que se forma cada vez mais cedo.

Mais cedo também é o ideal para se formar leitores. Porém, o livro precisa de intermediário, alguém que passe a garotada toda a fantasia e a beleza da leitura. Uma criança de 2 anos consegue assistir à programação da televisão, dela captar diálogos e  emoções. As  páginas dos livros ainda são universos estranhos, precisam ser reveladas.

Um grande acervo instalado em casa pode chamar atenção dos pequeninos, mas só os conquistará se os pais intervirem. É preciso o espaço da leitura, a hora em que pais e filhos mergulhem no livro, soltem a imaginação e curiosidade. É contar história com livro na mão. Sempre a interagir com a criança.

Desse jeito, princípes e princesas não largarão mais a garotada. Nem as travessuras da Emília. Na maturidade, Machado de Assis será uma conquista, não um enfado.

Sim, é claro, este blogueiro sabe que maioria dos lares brasileiros não possui livros. Muito menos a cultura de ler. Então como esperar um ambiente de leitura em casa?

É um círculo vicioso que precisa ser quebrado. Escolas e bibliotecárias comunitárias podem e devem fazer um trabalho para aproximar pais e filhos dos livros.

Aí vem outro entrave:  nossas autoridades não se preocupam com educação, biblioteca e que tais. Mas quem os elegem somos nós.

É preciso  cobrá-los. Sempre. Ou será que nos contentamos em fazer piada com dinheiro na cueca?

7 de Setembro de 2009

A independência do Brasil

Posted in Educação às 13:03 por sidneif

A revista Veja traz valiosa reportagem, assinada pela jornalista Mônica Weinberg, sobre a adoção de horário integral em escolas sitiadas nas favelas do Rio de janeiro. O projeto Escolas do Amanhã finca expressivamente a bandeira da educação num cenário dominado pelo tráfico de drogas – o crime arregimenta e “educa” os menores.

Segundo a reportagem, o grande mérito da iniciativa está na enfase dada à qualidade do ensino. Não poderia ser diferente. Horário integral só traz resultados se o ensino for com “e” maísculo. Sem isso, não adianta falar aos quatros cantos que a a garotada está segura entre as paredes da escola porquanto acabou a ociosidade. Criança que não aprende, não avança nos estudos é refratária ao ambiente escolar, continua alvo fácil da marginalidade.

O turno escolar de quatro horas, que é o mais adotado no Brasil, mostra-se inadequado para atender à necessidade dos alunos ( coloque aí, nesse libelo, as recorrentes greves que originam reposição de aulas no melhor estilo “me engana que eu gosto”). Não é difícil de constatá-lo. Basta abrir os ohos e ver a quantidade de crianças incapazes de ler um texto, escrever corretamente uma oração e a sua total abstrusão diante de uma simples conta aritmética. É claro que o exímio tempo de aula não é o único motivo para resultados tão pífios na educação, mas um turno maior permitiria ao professor um acompanhamento mais amplo das dificuldades dos alunos e o desenvolvimento de um trabalho pedagógico mais consistente.

Horário integral nas escolas públicas não é nenhuma novidade no país. Projetos diversos desse tipo foram encetados por políticos. A maioria das inciativas fracassaram. A explicação mais comum para tal insucesso é o alto custo das escolas. Pura heresia quando se olha a farra feita com o erário. Farra perpetrada por pessoas que deveriam zelar pelo bom uso dos recursos proveniente do nosso suado labor.

O maior problema do Brasil não é a escassez de recursos para áreas tão vitais como a educação. O mal da Terra de Vera Cruz é a sua ojeriza às palavras gestão e responsabilidade. Gasta-se mal. O viés demagógico e eleitoreiro toma conta das despesas. E não esqueçamos dos interesses pessoais e infindáveis ilícitos.

Que o projeto Escolas da manhã seja a exceção, que não se definhe face às cabeças inescrupulosas de nossos políticos.

Educação é investimento certeiro, é o caminho verdadeiramente concreto para o Brasil país do futuro que tanto se vaticina, a nossa legítima independência ( nada de pré-sal, caro presidente).

11 de Junho de 2009

Caça aos livros

Posted in Educação às 17:05 por sidneif

Livros recolhidos das escolhas por apresentarem falhas ou conteúdo inapropriado. Isso dá a medida de quanto é levado a sério a educação no Brasil. É desalentador ver que no país aspirante à condição primeiro mundo, como apregoam nossas autoridades, responsáveis pelas seleção de livros destinados às escolas públicas não foram capazes de detectar erros crassos nas obras (nas didáticas, havia mapa da América do Sul no qual aparecia duas vezes o Paraguai e omitia o Equador) e nem de avaliá-las quanto à idade apropriada.

É preciso ter seriedade nas escolhas do livros didáticos. A história e a idoneidade da editora, a formação e credibilidade dos autores e a excelência das informações (isso quer dizer nem erros pontuais, nem deturpação dos fatos em prol de ideologias)  contidas  na obra são critérios que devem ser inexoravelmente averiguados. Não há espaço para falhas e comtemporizações quando se trata de educação, se o Brasil quer ser um país eminente.

Não menos decepcionante, é a falta de cuidado na relação livros e faixa etária. Livro não se conhece pela capa, não se reduz ao nome do escritor e nem deveria estar sob tutela de qualquer lei que tente criar reserva de mercado ( não se perde  a mania de protecionismo e corporativismo). Livro vira referência pela sua qualidade. Livro se descobre passando da folha de rosto. Com essa visão, profissionais da educação responsáveis sabem exatamente a que tipo de aluno um livro é indicado. Profissionais responsáveis também entendem, sem cabotinismo, que livros apoiados em linguagem chula e enredos lúbricos (como o caso de Aventuras Provisórias de Cristovão Tezza, livro recolhido de escolas), com a devida abordagem pedagógica,  podem ser sim adequados a adolescentes.

Ademais, há uma indagação que precisa ser feita: E o bibliotecário? Diante de um assunto tão relevante, não compreendo a ausência de posição de tal profissional. Não tomei, salvo engano, conhecimento de qualquer manifestação de bibliotecário ou das entidades que o representam. Certamente, haverá quem diga que o bibliotecário não foi procurado e mais uma vez  o ingoraram. Todavia, a hora é de a classe bibliotecária abandonar a burca de vítima e aprender a se manifestar. Associações e Conselhos precisam expor a opinião do bibliotecário, promover e participar das discussões, mesmo que signifique uma autocrítica – chega de corporativismo, a crítica amadurece o profissional. O bibliotecário, profissional essencial para o avanço da educação, ainda tem de si a visão de  ordenador de livros.

Bibliotecário e demais profissionais da educação, é hora de mais responsabilidade e compromentimento na seleção de livros. É inadmissível essa caça aos livros a que os alunos assistem.

7 de Maio de 2009

Cultura da decoreba

Posted in Educação às 13:56 por sidneif

Sou fã de palavras cruzadas. Uma das que resolvia trazia o seguinte enigma: o desejo daquele que estuda. Resposta: saber. Não me parce que a realidade confirme tal relação.

Estudar passa longe do “querer saber”. A escola é tão somente uma obrigação, um compromisso maçante que se tem com os pais – passar de ano .  Se o aluno for esperto garante seu sucesso nos três primeiros semestres. Ato contínuo, o último pode displicentemente  ignorar. E passar significa assistir às aulas, fazer atividades corriqueiras, esperar a marcação da prova – ordinariamente, um festival de “assinale a correta” ou de somatórias-, iniciar a famigerada decoreba. 

Ignora-se o grande objetivo da escola, o qual é aprender a pensar – notas são consequências. As disciplinas não ultrapassam  o limite do material didático, pouco se estimulam leituras complementares ou suplementares. Provas dispensam cada vez  mais  a ideia de escrever, deixam de incentivar a capacidade do aluno de argumentar. Professores restringem erroneamente  o desenvolvimento da escrita às aulas de redação. Matemática vira um caldeirão de fórmulas, sopinha de letras e números. É como essa disciplina fosse  apenas um exercício mecânico – parece Charles Chaplin no filme Tempos Modernos (1936) -, dispensando qualquer reflexão. 

A escola perde tanto em relevância para os alunos que a prática abjeta da cola tornou-se coisa das mais cediças. Como se isso não fosse ilícito, usam-no indiscriminadamente ( que valores cultuam as crianças? Se for conveniente para mim, então é válido),  se render sucesso na avaliação, missão cumprida. 

Mudar a cultura da decoreba exige esforços dos pais, professores, bibliotecários  e demais profissionais da escola. É hora de pais mais comprometidos com a educação dos filhos ( valores morais e responsabilidades)  e participativos da vida  escolar dos filhos; professores didaticamente menos conservadores e com raízes na nobre missão de ensinar, bibliotecarios mais participativos e  integrados ao cotidiano da escola ( biblioteca não pode ser apenas um depósito de livros); pedagogos menos reféns de Piaget;  diretoria atuante em busca da melhoria do ensino, sem medir esforços para oferecer infraestrutura aos seus  profissionais e destes,  como consequência, cobrar  resultados.

Estudar ultrapassa a sala de aula, exige determinação e interesse do aluno. Exige também pais e escola atuantes e sobremaneira comprometidos com a educação.

23 de Abril de 2009

Notas e aprendizagem

Posted in Educação às 11:33 por sidneif

Meu amigo Diego Abadan em seu comentário sobre o texto Cotas da desigualdade assinala estudos que evidenciam notas altas dos alunos agraciados pelo sistema de cotas. O motivo do sucesso estaria no fato da determinação destes em  aproveitarem a grande oportunidade.

Determinação, com efeito, significa impulso essencial aos estudos (como em qualquer outra atividade). Simplista, entranto, soa a ideia de que o fracasso dos alunos  seja intrinsicamente resultado de sua própria desídia. Há aspectos que devem ser considerados.

Lamentavelmente,  notas altas nos cursos não  significam apredizagem. Uma reportagem da revista Veja, de alguns anos atrás, destacava o fraco desempenho dos alunos do provão – mesmo em cursos badalados e concorridos. Os altos conceitos dos cursos se sustentavam em outros requisitos (infrastrutura, corpo docente etc). Outro exemplo é a baixa aprovação dos graduados em Direito no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Algo precisa ser repensado nos cursos superiores. Registre-se que o hiato entre notas e aprendizagem aparece desde o ensino fundamental e médio.

É claro que não se pode apenas desconsiderar o bom desempenho de alunos egressos de escola pública. Estes, cabe salientar,  além da preciosa determinação, dispõem de outras virtudes e requisitos. Todos somos inteligentes. Todos. Não se pode negar, porém,  a facilidade de aprendizagem de alguns. Os demais possuem capacidade de aprendizagem, entretanto, necessitam desenvolvê-la melhor. E não é com a pífia qualidade observada nas escolas públicas que isso acontecerá. O bom aluno da escola pública ainda se beneficia de uma boa biblioteca ( é  vergonhoso constatar que muitas escolas do país não a têm), pais cientes da relevância dos estudos ( incentivam, acompanham, cobram),alguns  abnegados professores . 

Para terminar: é difícil pensar em alunos bem preparados quando se toma conhecimento do vexatório desempenho dos professores na avaliação feita pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo – muitas notas baixas e um número surpreendente de provas zeradas. Os professores são muito desvalorizados, bradam muitos. E é uma verdade inconteste. Entretanto, será apenas o poder público o grande vilão do caos da educação? 

Pais que consideram o ensino algo menor – faltar a escola é prefeitamente aceito,  pouco se interessam em acompanhar a vida escolar dos filhos, conversar com os professores-,  não assumem a educacação dos filhos, transformando-os em insolentes e desidiosos. Professores que faltam copiosamente e exibem descompromisso com a aprendizagem dos alunos. Parece que a reposta à pergunta acima é bem mais complexa.

16 de Março de 2009

Cotas da desigualdade

Posted in Educação às 18:03 por sidneif

Está no Senado projeto sobre cotas nas universidades federais. O texto do projeto –  já aprovado na Câmara – determina que metade das vagas dessas instituições seja destinada a pretos, pardos, índios e pobres egressos do curso médio de escolas públicas.

As justificativas para tal iniciativa já são demasiado conhecidas: as iniquidades cometidas contra os negros e índios durante tantos séculos, a falta de oportunidades aos pobres.

Qualquer gesto fundamentado na inclusão social é salutar e necessário. Ainda mais em sociedades ( como a nossa) de desigualdade social tão gritante. Todavia, opta-se pelo caminho errado. Escolhem-se o assistencialismo barato (quando não eleitoreiro),  a solução mais vistosa, imediatista, mas de resultados efêmeros e consequências desastrosas.

Acesso a uma universidade, assim como a um posto de trabalho, deve ser conquistado pelo mérito. Palavrinha pequena, mas de valor incomensurável para qualquer sociedade dita equânime. Igualdade não se conquista afrontando direitos alheios, nem criando dependentes (ou acomodados) do Estado.

E mérito para entrar na universidade significa apresentar boa formação escolar, requisito que passa longe das escolas públicas. Aluno de formação irregular numa universidade tem dificuldades imensas para acompanhar as aulas, e torna-se ( quando não desite do curso) um profissional de baixa qualidade. Então, surge o famoso discurso: mercado de trabalho ínfimo, o curso não vale nada.

Boa formação escolar também não está associado a cor de pele. Usar cotas para Inserir negros na unversidade é lhes tirar a dignidade. Ou são inferiores, despossuídos de capacidade intelectual, por isso, precisam de cotas?

Não, os negros precisam de respeito. Respeito que não vai chegar dessa forma. Pelo contrário. O fato de perder a vaga por causa da cor , além de evidenciar desigualdade, despertará ( ou intensificará) o preconceito de muitos. E o pretenso propósito de fazer justiça aos negros os deixará mais seviciados.

A bandeira a ser arvorada é da busca pela qualidade do ensino publico (fundamental e médio).  Estado, professores, a sociedade, todos comprometidos com a educação. É um direito de todos, do negro, do pardo, do índio, do pobre.

Ensino público de qualidade é a certeza de negros, pardos, índios e pobres com dignidade, altivez, vencedores pelo mérito, não pelo rótulo de coitados.

8 de Outubro de 2008

Reforma ortográfica

Posted in Educação às 17:29 por sidneif

Em janeiro do ano que vem entrará em vigor a tão propalada reforma ortográfica no Brasil. Será a redenção da língua portuguesa. Imagino o mundo inteiro maravilhado com a novidade. Tanto que não faltará país entusiasmado em assumir a última flor do Lácio como idioma oficial.

Há quem acredite que Portugal não colocará o acordo em prática . Talvez os lusitanos o considerem desperdício de tempo e estão “acomodados” com a beleza da língua de Fernando Pessoa.

Mas não nos desesperemos com isso. Existe sempre uma alternativa. Aliás tenho uma proposta muito melhor para alcançarmos a aceitação universal da língua falada em solo brasileiro: assumamos o idioma de Shakespeare.

O inglês mudará nossa vida. Seremos eternamente reverenciados. Nobel de Literarura não faltará aos nossos escritores ( esqueça Saramago!).

Estou tão contente com essa minha proposta. Quem sabe o Brasil a ponha em prática. Quem sabe nessa hora eu não seja um livreiro ou dono de gráfica.