7 de Dezembro de 2018

Do livro à leitora

Posted in Ler faz crescer às 15:53 por sidneif

Por ADRIANE FORSTER*

restricted

“Nurse Reading to a Little Girl” (1895), de Mary Cassatt (1844–1926)

Quando criança, recordo de me sentar ao colo de meu avô paterno para ouvir histórias. Na varanda da casa, num banco de madeira, meus avós, meu irmão e meu primo. Às vezes, o colo era dividido, noutras, um só sentava no colo, e assim, entre histórias e perguntas, passávamos um bom tempo. Nunca vi meu avô com um livro na mão, as histórias vinham de suas lembranças. Eram histórias de índios, de animais selvagens e de nossos familiares que vieram da Alemanha.

Mais tarde, quando frequentei a escola e aprendi a ler, minha avó pedia para eu ler trechos da Bíblia ou do devocional diário de que ela gostava, e eu me sentia útil e orgulhosa por fazê-lo. Minha família era muito simples, meus pais estudaram pouco e trabalhavam na roça. Meus avós ajudavam a cuidar de mim e de meus primos enquanto nossos pais trabalhavam, fomos à escola apenas no Ensino Fundamental (primeira série naquele tempo), então, para mim, ler era um ato muito importante.

Na escola, não me lembro de ter experiências significativas e prazerosas com a leitura, que sempre foi-me imposta como obrigação. Mesmo assim, lembro-me do primeiro texto que li, no livro didático, “O jogo do pega-pega da autora Flávia Muniz”. Em casa, não costumava ter contato com livros, somente com os que vinham da escola. Já na universidade, cursando Pedagogia, fui surpreendida em uma aula da disciplina de Didática.

Era inverno de 2007, ao iniciar uma aula, a professora leu uma literatura infantil. Fez uma mediação animada do livro, naquela época, eu não imaginava que o que ela fez tinha esse nome, mas o gesto me tocou em vários sentidos. A professora era muito dedicada, comprometida em fazer-nos entender a relação entre teoria e prática, porém, jamais imaginei que ouviria uma história infantil lida por ela. Além da admiração por seu trabalho, fiquei encantada com a história. Fiquei muito encantada mesmo, tanto, que me lembro dela e a conto até hoje. E me lembro muito bem da professora também.

A partir desse gesto, comecei minha busca por outras literaturas infantis e me transformei numa devoradora de livros. Sempre que encontrava uma história bacana, lia para as crianças. E a minha busca não parava. Comecei a trabalhar com uma bibliotecária e contadora de histórias  também apaixonada por livros, e a relação com as histórias tornou-se muito forte. Cada vez eu lia mais, conhecia novas histórias, contava para os alunos, me encantava…

Minha biblioteca particular começou por volta de 2006, e minhas práticas de mediação de leitura em sala de aula também, me refiro a uma prática de literatura literária, consciente, comprometida com o valor estético da arte literária. Desde então, me empenho em adquirir livros, tanto para minha formação quanto para deleite, e muitas literaturas infantis; participo de cursos de formação com contadores de histórias presencialmente ou por meio da internet, assisto apresentações de contadores de histórias; visito feiras literárias.

Esse encanto e dedicação com a literatura infantil foi tão intenso e marcante em minha vida e em meu trabalho, que recebi convites para contar histórias em outras escolas. e minha busca constante por formação me fez contar histórias em outros espaços como livrarias, teatros e shoppings.

Conto histórias porque acredito que, assim como eu, todas as pessoas (adultos e crianças), tem o direito de ter a oportunidade de sentir prazer em ler. Para mim, a literatura significa liberdade, imaginação e interpretação crítica. É por meio dela que podemos, também, exercitar a empatia e refletir sobre as situações que vivenciamos. Sempre leio bastante e escolho o que vou contar quando de alguma maneira aquela história desperta em mim algum sentimento ou me revela algo. Se a leitura não fizer sentido para mim, minha palavra não será profícua para outra pessoa.

 

*Adriane Forster, contadora de histórias, psicopedagoga, especialista em alfabetização e letramento e docência em educação infantil.

Anúncios

Leitura: amor e profissão

Posted in Ler faz crescer às 15:49 por sidneif

Por CAROLINA MACHADO*

tomas-santa-rosa-brasil-1909-1956-meninas-lendo-ost

“Meninas Lendo” (1940), de Santa Rosa (1909-1956)

Desde pequena a leitura fez parte do meu dia a dia. Sendo a mais nova em casa, ansiava o dia em que também poderia desfrutar de notícias, gibis e livros.

Começar a ler foi tão importante para mim que lembro até hoje da primeira palavra que consegui ler, quase soletrando, no jornal Correio do Povo que chegava lá em casa todo dia: grê…mi…O.

Outra lembrança boa que vêm à memória é de um dos primeiros livros que tive, chamava-se Orelhas de cabeça para baixo, de Neil Connelly. Era uma adaptação da história da lebre e da tartaruga, ilustrado em papel-cartão de alta gramatura.

Hoje a leitura continua na minha vida, e para com ela tenho responsabilidade muito maior. Trabalho como revisora de textos e tenho a missão de ajudar autores a levarem sua mensagem da forma mais clara possível a seus leitores.

*Carolina Machado, revisora de textos desde 2008, mestranda em Ciências da Linguagem pela Universidade Nova de Lisboa e graduada em Letras pela PUCRS em 2013.Autora no site revisaoparaque.com e do “Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante” (2018, Ed. Moinhos).