25 de Maio de 2018

Mergulho em outros mundos

Posted in Ler faz crescer às 17:36 por sidneif

Por ANA MARIA GAZZANEO*

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“Library Interior with Maid Reading” (1915), de Edouard John Mentha (1858-1915)

Convidada a fazer um depoimento de como surgiu e ganhou corpo o processo de leitura em minha vida,  resolvi contar-lhes a minha história.

Talvez igual a — ou muito diferenciada —   da maioria, mas enfim é a história que tenho para contar, e a comparação deixo para você, que terminará por fazer uma leitura também, e isso agradeço desde já.

Entrei para a escola aos seis anos de idade. É claro que antes de ser alfabetizada, eu já havia “lido” muitas coisas.

Nasci em Minas Gerais e vivia sitiada por vasta área de vegetação e paisagens. As cores e variedades de flores, frutos e animaizinhos silvestres foram a minha primeira leitura.

Hoje as crianças olham-veem-leem tudo isso nos livros.

Não acho ruim… Muito pelo contrário, acho que nos livros, a visão de tudo se perpetua… Dito isto, acho que tive dupla alegria em minhas leituras…

Aprendi as palavras do nosso Alfabeto ( aqui existe uma paixão que eu nunca havia revelado a ninguém ) e também a ler. A maior alegria que vivi foi a de saber que os mundos que eu precisei deixar nas minhas montanhas da infância, eu podia reler no livro.

Depois fui para o fundamental dois. Outro tempo em maravilhas na qual me vi às voltas com a leitura e escrita.

Nas férias de Julho e Dezembro, voltava para Minas. Ficava na casa de uma tia materna e aí dois livros especiais tomavam o meu tempo ocioso, pois que a maioria do tempo gastava lendo a natureza, que era exuberante e refrigério para a minha pequena e singela alma.

Voltando aos dois livros mencionados anteriormente, tratava-se de um dicionário de capa dura, um luxo para a época, e uma Bíblia gigante com gravuras. Antes de ler qualquer palavra, são as gravuras que ganham as nossas vistas mais vivazes… E quem disse que isso já não se trata de uma leitura?

 Ganho enorme se percebeu em minha aquisição de vocabulário, que muito me auxiliou como arsenal para uma comunicação mais clara e variada de qualquer ideia que eu pudesse ter.

Depois vivi a fase de ouro dos HQs. Li toneladas de gibis.

A imprensa sendo ainda um processo primitivo e o regime militar reduzindo o país à economia de guerra e baixíssima renda me impediram de maior contato com o que considero o maior tesouro que uma pessoa possa ter em vida, livros.

Uma biblioteca lotada de livros, dos mais variados assuntos, idiomas e procedências sempre foi o meu sonho de consumo.

Em minha lista de livros marcantes, posso citar alguns como: O Príncipe, de Maquiável, O Banquete, de  Sócrates, O Livro Proibido, de Santo Antão, Folhas na Relva, de Walt Whitman, Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, de Neruda, O Jardineiro do Amor, de Rabindranath Tagore, os quatro volumes de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, e Cazuza, de Viriato Correia — este último o meu primeiro livro lido, presente do professor José Wilson Serralvo, no tempo do ensino fundamental.  Então posso dizer que quem de fato me incentivou no gosto por livros e leituras foi meu professor de Língua Portuguesa. Os outros caíram em minhas mãos por obra do acaso.

Depois os gostos e as curiosidades foram aumentando, e lamento por viver tão pouco e não ter tempo para ler a imensa vastidão de livros que existe.

Um detalhe, gosto do livro no formato original. Tenho uma relação afetiva com seu corpo físico. Tipo, sentir a textura, o formato, o colorido da capa, o cheiro da impressão, quando se trata de impressão recente.

Hoje até possuo uma rica coleção, de escritores ainda vivos, todos autografados e pelos quais sou apaixonada.

Estas são pequenas curiosidades da minha incursão ao mundo da leitura, e que com muito prazer divido com todos. Oxalá todos descobrissem o imenso prazer que é de pegar um livro e mergulhar ou viajar em outros mundos!

*Ana Maria Gazzaneo, formada em Letras,  escritora e membro da Associação de Escritores de Bragança Paulista (ASES) e da União Brasileira de Trovadores (UBT). Contato: gazzaneoanamaria@gmail.com

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