25 de Maio de 2018

Mergulho em outros mundos

Posted in Ler faz crescer às 17:36 por sidneif

Por ANA MARIA GAZZANEO*

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“Library Interior with Maid Reading” (1915), de Edouard John Mentha (1858-1915)

Convidada a fazer um depoimento de como surgiu e ganhou corpo o processo de leitura em minha vida,  resolvi contar-lhes a minha história.

Talvez igual a — ou muito diferenciada —   da maioria, mas enfim é a história que tenho para contar, e a comparação deixo para você, que terminará por fazer uma leitura também, e isso agradeço desde já.

Entrei para a escola aos seis anos de idade. É claro que antes de ser alfabetizada, eu já havia “lido” muitas coisas.

Nasci em Minas Gerais e vivia sitiada por vasta área de vegetação e paisagens. As cores e variedades de flores, frutos e animaizinhos silvestres foram a minha primeira leitura.

Hoje as crianças olham-veem-leem tudo isso nos livros.

Não acho ruim… Muito pelo contrário, acho que nos livros, a visão de tudo se perpetua… Dito isto, acho que tive dupla alegria em minhas leituras…

Aprendi as palavras do nosso Alfabeto ( aqui existe uma paixão que eu nunca havia revelado a ninguém ) e também a ler. A maior alegria que vivi foi a de saber que os mundos que eu precisei deixar nas minhas montanhas da infância, eu podia reler no livro.

Depois fui para o fundamental dois. Outro tempo em maravilhas na qual me vi às voltas com a leitura e escrita.

Nas férias de Julho e Dezembro, voltava para Minas. Ficava na casa de uma tia materna e aí dois livros especiais tomavam o meu tempo ocioso, pois que a maioria do tempo gastava lendo a natureza, que era exuberante e refrigério para a minha pequena e singela alma.

Voltando aos dois livros mencionados anteriormente, tratava-se de um dicionário de capa dura, um luxo para a época, e uma Bíblia gigante com gravuras. Antes de ler qualquer palavra, são as gravuras que ganham as nossas vistas mais vivazes… E quem disse que isso já não se trata de uma leitura?

 Ganho enorme se percebeu em minha aquisição de vocabulário, que muito me auxiliou como arsenal para uma comunicação mais clara e variada de qualquer ideia que eu pudesse ter.

Depois vivi a fase de ouro dos HQs. Li toneladas de gibis.

A imprensa sendo ainda um processo primitivo e o regime militar reduzindo o país à economia de guerra e baixíssima renda me impediram de maior contato com o que considero o maior tesouro que uma pessoa possa ter em vida, livros.

Uma biblioteca lotada de livros, dos mais variados assuntos, idiomas e procedências sempre foi o meu sonho de consumo.

Em minha lista de livros marcantes, posso citar alguns como: O Príncipe, de Maquiável, O Banquete, de  Sócrates, O Livro Proibido, de Santo Antão, Folhas na Relva, de Walt Whitman, Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, de Neruda, O Jardineiro do Amor, de Rabindranath Tagore, os quatro volumes de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, e Cazuza, de Viriato Correia — este último o meu primeiro livro lido, presente do professor José Wilson Serralvo, no tempo do ensino fundamental.  Então posso dizer que quem de fato me incentivou no gosto por livros e leituras foi meu professor de Língua Portuguesa. Os outros caíram em minhas mãos por obra do acaso.

Depois os gostos e as curiosidades foram aumentando, e lamento por viver tão pouco e não ter tempo para ler a imensa vastidão de livros que existe.

Um detalhe, gosto do livro no formato original. Tenho uma relação afetiva com seu corpo físico. Tipo, sentir a textura, o formato, o colorido da capa, o cheiro da impressão, quando se trata de impressão recente.

Hoje até possuo uma rica coleção, de escritores ainda vivos, todos autografados e pelos quais sou apaixonada.

Estas são pequenas curiosidades da minha incursão ao mundo da leitura, e que com muito prazer divido com todos. Oxalá todos descobrissem o imenso prazer que é de pegar um livro e mergulhar ou viajar em outros mundos!

*Ana Maria Gazzaneo, formada em Letras,  escritora e membro da Associação de Escritores de Bragança Paulista (ASES) e da União Brasileira de Trovadores (UBT). Contato: gazzaneoanamaria@gmail.com

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A importância da Literatura: Por que discutimos o óbvio?

Posted in Ler faz crescer às 17:35 por sidneif

Por DIRCE WALTRICK DO AMARANTE*

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“A Woman Reading” (1869-870), de Camille Corot (1796-1875)

Lendo Balaio: livros e leituras, de Ana Maria Machado, chamou-me a atenção a maneira como a autora discute a “importância da leitura”, tópico recorrente nos ensaios do livro, mas que é tratado, às vezes, com certa impaciência. Em “Hospital da Alma”, por exemplo, texto que sintetiza palestras proferidas em diferentes lugares do Brasil ao longo de 2006, Ana Maria diz que ficava perplexa sempre que era indagada sobre a importância da literatura, perplexidade essa que “deu lugar a uma certa irritação” : “No fundo, ligada à hipótese torta do elitismo da literatura, o que existe é a constatação prévia, óbvia e inescapável: a de que os perguntadores não sabem do que estão falando. Não têm intimidade com livros” . Ana Maria Machado prossegue: “sem esse contato íntimo com a leitura mais refinada e a literatura, recai-se então na situação que comentávamos. Voltamos a tal constatação prévia, óbvia e inescapável: a de que os perguntadores sobre a importância da literatura não sabem do que estão falando.

Aconselha Ana Maria Machado: “em vez de perdemos tempo discutindo se é importante ler, sejamos pragmáticos e aproveitemos todas as oportunidades para pôr professores, jornalistas e burocratas em contato com bons livros. E com a arte, em geral”. Parece-me, no entanto, ser importante reiterar a pergunta sobre o valor da Literatura (da boa literatura, com letra maiúscula, como costuma frisar o ensaísta argentino Daniel Link), mesmo que o tema nos pareça óbvio. A pergunta é como uma “oração” que, repetida diariamente, reforçaria a nossa fé.

De fato, não perguntamos sobre a importância da literatura à toa, ou por ignorar o assunto. Sabemos, como afirma Ana Maria Machado, num dos ensaios menos intransigentes a respeito da questão, Literatura para todos, resultado de uma palestra apresentada no Encontro Anual da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura InfantoJuvenil, em 2004 , da necessidade de

“[…] substituir o senso comum tradicional por um espírito crítico capaz de formular seus próprios anseios. Sem leitura de literatura, essa meta fica muito distante, se não inatingível. Por mais que hoje tenhamos também outros meios e outras linguagens, nenhuma outra produção cultural tem o potencial do texto literário para desempenhar esse papel. Só a literatura – com o tempo e o ritmo que caracterizam a palavra escrita – permite que se desenvolva tanto a imaginação do usuário, dando-lhe a possibilidade de criação individual de roteiros improváveis paralelos, enquanto lê. Ou lhe propiciando a simultânea construção imaginária, às vezes até inconsciente, de cenários utópicos sofisticadamente estruturados. Só ela é capaz de acompanhar de dentro a mente de diferentes personagens com visões do mundo variadas, contraditórias e complementares, ou contrapor autores diversos, mas igualmente fortes e sedutores. Com isso, ao mesmo tempo, ela é capaz de ensinar tolerância, respeito à diferença e a capacitar a que se oponham teses distintas e se busquem as sínteses necessárias”.

A despeito da certeza que possamos ter (ou julgar que temos) em relação à importância da Literatura, no dia a dia os fatos reais nos fazem, por vezes, não exatamente duvidar dela, mas questioná-la.

A esse respeito, lendo The Annotated Snark, de Lewis Carroll, editado por Martin Gardner, deparei-me com a seguinte nota, que conta uma história sobre leitores, ao mesmo tempo saborosa e instrutiva:

A escritora americana Edith Wharton adorava o poema Snark, de Lewis Carroll, quando era apenas uma menininha. Na sua autobiografia, A Backward Glance (1934), páginas 311-12, ela descreve um almoço com o Presidente Roosevelt, a quem ela conhecia desde a infância. “Bem”, ele disse, “estou feliz de receber na Casa Branca uma pessoa para quem eu posso recitar The Hunting of Snark sem ser perguntado sobre o que estou falando! … Você não vai acreditar, mas ninguém do governo jamais ouviu falar de Alice, muito menos do Snark, tanto que outro dia, quando eu disse para o Secretário da Marinha: ´Sr. Secretário, o que eu repito três vezes é verdade` (um verso do poema Snark), ele não reconheceu a alusão e respondeu com ar aflito: ´Sr. Presidente, nunca, nem por um instante, me ocorreria contestar a veracidade do que o senhor afirma’”.

Duas situações opostas são mostradas nessa pequena anedota: a primeira, a da menininha Edith Warthon (ela se tornaria depois grande escritora), fã de The Hunting of the Snark (A caça ao Turpente ), de Lewis Carroll, possivelmente desde cedo grande leitora; a segunda, a dos funcionários do governo, no caso o norte-americano, que chegaram a altos cargos – o de Secretário da Marinha, por exemplo, — sem conhecer Lewis Carroll, um dos maiores escritores de língua inglesa. O Presidente, porém, sabia de cor o poema, mas ele era uma exceção na Casa Branca.

Pensando no caso do Secretário da Marinha norte-americana, que ocupou um cargo importante no governo, mesmo sem ter sido um ávido leitor de Literatura (não levarei em conta possíveis situações análogas em nosso País), perguntei-me: qual a importância da Literatura? Para que serve a Literatura, se podemos ter destaque profissional sem ela? Qual a sua importância na vida prática?

Muitas vezes, a negação da importância da Literatura é feita em casa, diariamente. O ensaísta, tradutor, editor e romancista argentino, naturalizado canadense, Alberto Manguel, em Uma História da Leitura, lembra que, quando a sua mãe o via com um livro na mão, dizia: “´Saia e vá viver!`, […], como se minha atividade silenciosa contradissesse seu sentido do que significava estar vivo”.

É óbvio que não podemos duvidar da importância da Literatura, de seu valor no nosso cotidiano e na nossa vida profissional, mas é natural que, vez por outra, certas inquietações nos assaltem e nos levem a repetir a velha e eterna pergunta sobre o seu valor, mesmo que seja, no fundo, para reiterarmos a nossa fé nela.

Saber mais e ver mais longe, dons que a literatura nos concede, são e serão sempre valores fundamentais na nossa formação, desde cedo. O que teria sido do grande romancista Graciliano Ramos, perdido no interior de Alagoas e Pernambuco, praticamente analfabeto até os nove anos de idade, sem a Literatura? Em Infância , livro autobiográfico, o escritor conta como descobriu os livros (na biblioteca de Jerônimo Barreto e não na escola) e a importância deles no universo árido de ideias e sentimentos em que vivia:

“Em poucos meses li a biblioteca de Jerônimo Barreto. Mudei hábitos e linguagem. Minha mãe notou as modificações com impaciência. E Jovino Xavier também se impacientou, porque às vezes manifestava ignorância de selvagem. Os caixeiros do estabelecimento deixaram de afligir-me e, pelos modos, entraram a considerar-me um indivíduo esquisito.”

No parágrafo seguinte, o ávido leitor conclui, exorcizando o ambiente mesquinho em que vivia: “Minha mãe, Jovino Xavier e os caixeiros evaporavam-se. A única pessoa real e próxima era Jovino Barreto, que me fornecia a provisão de sonhos, me falava na poeira de Ajácio, no trono de S. Luís, em Robespierre, em Marat”.

A ideia de que a leitura é, ao mesmo tempo, a construção de um universo e um refúgio contra a hostilidade do mundo foi exposta pelo escritor e ensaísta argentino Ricardo Piglia, em O Último Leitor, ao analisar o que ele chama de os dois movimentos do leitor em Jorge Luis Borges, conclusão que dialoga, parece-me, com a afirmação acima de Graciliano Ramos.

Se é evidente a importância da Literatura, ninguém negará, no entanto, que sempre haverá fatos concretos que a colocarão em xeque. No momento atual, em que vivemos uma “crise” da leitura, sentimos muitas vezes que somos o “último leitor” (de Literatura). Por isso, não vejo mal algum em indagar o que parece óbvio: por que devemos ler? Ou melhor, para que serve a literatura? Não vejo mal algum em querer escutar de novo, como leitores, aquilo que já estamos cansados de saber: que devemos “ler para viver” (Gustave Flaubert) ou “ler para fazer perguntas” (Franz Kafka). Reavivamos assim, com perguntas, a chama da nossa fé.

*Dirce Waltrick do Amarante, ensaísta, tradutora e dramaturga. O texto acima faz parte do livro As Antenas do Caracol: notas sobre a literatura infantojuvenil (Iluminuras, 2012) e foi sugerida ao blog Tabacaria pela própria autora.

O horizonte distante na minha esquina

Posted in Ler faz crescer às 17:32 por sidneif

Por TIAGO PEREIRA DA SILVA*

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“Diógenes Procura um Homem Honesto” (c. 642), de Jacob Jordaens (1593-1678)

Eu cresci no subúrbio de São Paulo. E, quando eu digo subúrbio, eu realmente uso o significado dessa palavra no Brasil na década de 80.

Meus pais estudaram até a quarta série. Meu contato com a leitura se dava estritamente na escola. Não era um contato fácil. Eu ainda me lembro de que tirei zero na prova de história sobre feudalismo, porque achava que o feudo era uma pessoa. A leitura obrigatória de livros escolares também não ajudava a criar um hábito no qual ler era associado a um prazer.

Meu tio mais bem educado era metalúrgico, e eu decidi seguir o seu exemplo. Para mim, meu futuro estava decidido ali. Esse seria um futuro muito bom.

Esse não foi meu caminho. Algo mudou na minha vida e, retrospectivamente, eu não sei precisar quando. Prefiro acreditar que não houve um único evento, mas pequenos conselhos de vários anjos que ajudaram.

Recordo quando resolvi ler a série “Os Pensadores”.  Peguei justamente o volume sobre Sócrates. Não sei exatamente como consegui ler mais que cinco páginas. Mas, após ler as cinquenta primeiras páginas, algo havia mudado em mim. De alguma maneira, Sócrates vinha para o subúrbio exclusivamente para mim e me desafiava, perguntava e mudava meu modo de pensar. Terminei esse livro e li a Republica de Platão. Honestamente, não entendi direito o livro, mas percebi que parte da minha vida estava ali no Mito da Caverna. E eu precisava de iluminação. Eu precisava sair da caverna.

A leitura  transformou meu mundo num ponto: trouxe o horizonte distante para minha esquina. Em poucas semanas eu tinha percorrido a história, visitado o mundo e terminado com a certeza de que ainda havia tanto para aprender.

Por todo lugar a que eu me virava havia algo espetacular para aprender. Um radical recém-convertido, todo meu tempo livre era dedicado à nova religião. Minha mãe se preocupava constantemente com a quantidade de drogas entre meus amigos. Não sabia ela que a minha maior droga era Gonçalves Dias.

Decidi ir para a faculdade e tive que estudar seriamente para o vestibular.  A probabilidade de sucesso era baixa, dado que eu trabalhava 12 horas por dia  e minha educação formal era ruim. Detalhes. Pois assim como Brás Cubas eu tinha um objetivo fixo em mente.

Com o esforço recompensado, entrei na Universidade de São Paulo e passei a me dedicar ao estudo de Física e Matemática. Logo na primeira semana de aula, percebi que, obviamente, eu era o que menos sabia ali. Num ato de loucura, pedi demissão do trabalho ainda sem saber como me sustentar, mas o desejo de aprender me cegou.

Passei então a tomar café com Marcus Aurelius, e as suas meditações me mostraram que meu carácter precisava de melhora. Durante o almoço, Sêneca me disse que a coisa mais preciosa que eu tinha era meu tempo. Realmente, este a única coisa limitada que é nos dado. Durante o jantar, Tostoy me mostrou a vida de Ivan Ilitch, e percebi que eu deveria fazer minhas escolhas de maneira mais autêntica.

Sócrates e Diogenes já haviam me dito que a procura por reconhecimento se dava porque minha cabeça ainda não estava no lugar certo. Eu ainda não me conhecia bem. Mas creio que eu só fui entender isso quando Kafka me contou a sua história do artista da fome.

*Tiago Pereira da Silva, matemático, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, premiado pelo programa The Newton Advanced Fellowship, da The Royal Society ( a instituição científica britânica fundada em 660 e cujo um dos presidentes foi Isaac Newton).

18 de Maio de 2018

Literatura é permanência

Posted in Ler faz crescer às 16:47 por sidneif

Por FERNANDA FATURETO*

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“Menina lendo” (1957), de Boris Anatolyevich Sholokhov (1919 – 2003)

Meu contato com a literatura se deu quando eu tinha uns doze anos, eu cursava o ensino fundamental, e tinha uma biblioteca pública na minha cidade onde eu retirava livros para a leitura. Na escola, os professores indicavam livros infanto-juvenis para os alunos, mas eu queria transpor esse limite. Lembro bem quando cheguei com “No Caminho de Swann”, de Marcel Proust, em casa. Meu pai se assustou com minha ousadia, comentou que me achava muito nova para ler Proust. Li apenas as primeiras páginas, achei o livro muito denso, logo o abandonei, mas o desejo da literatura começou a germinar em mim.

Mais tarde, com uns quinze anos, fui a esta mesma biblioteca pública e peguei emprestado “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Aí sim encontrei a identificação: li o romance rapidamente e me apaixonei pelos personagens e pelo modo como Kundera conduziu a narrativa aliado à filosofia, especialmente no início do livro. Dali o universo da literatura se abriu para mim. Li Hilda Hilst, Cecília Meireles, Clarice Lispector.

Na faculdade de jornalismo, ampliei meu leque e descobri Beckett, Kafka etc e percebi que seria um caminho sem volta. Entendi que literatura é permanência, capaz de perpetuar a humanidade que existe em nós. Essa sempre foi a causa do meu contato com os livros, poder chegar perto do outro por meio das palavras.

 

Fernanda Fatureto_*Fernanda Fatureto, poeta e jornalista. Autora de “Ensaios para a queda” (Penalux, 2017), eleito pela revista São Paulo Review um dos melhores livros de 2017. Estreou com o “livro Intimidade Inconfessável” (Patuá, 2014). Possui poemas publicados em revistas literárias do Brasil, de Portugal e da Espanha.

 

Sobre ler

Posted in Ler faz crescer às 16:42 por sidneif

Por DHEYNE DE SOUZA*

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“Urutu” (1928), de Tarsila do Amaral (1886-973)

Ler e dirimir, digerir, deglutir, enfrentar a língua. Aliciar a língua. Deliciar-se dela. Passar as páginas e fincar nas linhas:

Escrever sobre ler é uma tarefa mais difícil do que pensei. Talvez porque, para mim, a leitura está sob a escrita. E sobre. Ou é a mesma moeda, que, afinal, vale a vida. São digressões. Eu me lembro da minha primeira digressão, digamos, poética (embora jamais imaginasse então que aquilo era isso). Hoje eu posso dizer que aprendi a ler com uma rosa cor-de-rosa. (Interessante como desenvolvi, especialmente a partir da adolescência, um ódio e seu consequente discurso, não de todo curado, da cor rosa. [Já desenvolvi, ora bolas, coisas bem piores. {Se bem que foi justamente na adolescência, mais imprecisamente uns 13, que desenvolvi também a escrita da angústia. daquilo que não vasa e a língua disseca. facilita na digestão.} Mas foda-se.] Hoje já consigo usar o batom dessa cor, por exemplo.) Não digo que isso seja necessariamente um trauma. Digo que a cor cor-de-rosa repete uma memória. É tudo misturadíssimo mesmo. Ainda estamos falando de leitura. E escrita. E linguagem. E a primeira experiência estética (.) que tive foi com a rosa cor-de-rosa. Já escrevi um poema sobre isso. (Ainda se ouve o som da lâmina quando sai dos dedos. [Provavelmente também foi aí que comecei a aprender, desistindo inúmeras vezes {e, se eu quiser, eternamente}, desse inominável incorrigível que habita o verso da face. {De onde sai sangue, meu bem.} Exatamente assim quando a verdade não é dita com doçura.] Quando o ser humano descobre aquilo que nunca mais vai sair: . [Talvez seja o mal.]). O que eu posso dizer? Talvez, digamos, com a leitura aprendi a digerir o mal do real na língua. Com menos discurso teórico, evidentemente. Resumidamente. Sem resumo. Segue o poema anexo. Antes de mais nada: a leitura me veio então como vários túneis dentro de um (aparente) só.

POIESIS

 

enquanto os risos escorriam nos pés

na grama

nos galhos

nos céus

dos outros no tempo

em que sempre voltamos

jamais estaremos

 

uma criança, longe, muda, exangue, sentada

num canto daquele muro

(como no canto dos outros muros que agora a

derrubam

feito um sino mudo)

 

nesse canto lhe deram uma rosa

era uma rosa comum, cor-de-rosa, jovem, justa, virgem

não soube o que fazer com tanta verdade

embora sequer soubesse disso

de que agora a memória sabe

do jeito que a memória sabe saber reticente

 

poderia ter passado a tarde toda

aquela criança

talvez eras

com a rosa nas mãos

 

poderia dizer do cheiro daquela pétala uma obra aberta

do tônus firme do seu corpo frágil

das inverossimilhanças do contorno

na sua cor silenciosa

dos rosas da rosa

 

se fosse dizível

 

mas quando o sol se punha

naquela época

 

pés sujos

risos suados

cabelos ventados

fôlegos rotos

 

mas a rosa

intacta

naquelas mãos tão pequenas meu deus e que já sustinham o medo

de ser túmulo

 

qual teria sido o erro

que cometeram aqueles dedos

incapazes ainda de todo mal que agora teciam tão displicentemente

 

tomaram-lhe a rosa sem

não foi sequer capaz de

 

despedaçaram todas as pétalas e sépalas

ouviam-se ranger suas veias

enquanto ensinavam que era assim

que se brincava com as flores

 

foi a primeira vez para ela

que a poesia

colheu o seu silêncio

humano

 

*Dheyne de Souza, escritora, autora de “A Parlenda da Menina-Rima”, “Ana & as Cartas”, “Pequenos Mundos Caóticos” e “Visitas a Santiago”.  www.dheyne.wordpress.com

 

11 de Maio de 2018

Sim, a literatura salva

Posted in Ler faz crescer às 15:31 por sidneif

Por ADRIANE GARCIA*

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“Duas mulheres correndo na praia [A corrida]” (1922), de Pablo Picasso (1881-1973)

Minha relação com a leitura nasceu colada com ​duas sensações: o alívio da dor e o encantamento, não nessa ordem, necessariamente. Minha mãe me alfabetizou para me distrair de dores físicas (um problema em meus pés que, sem recursos médicos, ela tratava com fel de boi). Antes disso, o desejo enorme de descobrir o que as letras que eu via nas placas, embalagens, outdoors queriam dizer. Depois, descobri os livros, em uma biblioteca. Lembro-me exatamente quais eram: “Lúcia-já-vou-indo”, de Maria Heloísa Penteado e “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, que foi meu primeiro encontro formal com a poesia.

Descobri que os livros eram um mundo absolutamente luxuoso e rico, diante da realidade economicamente paupérrima em que eu vivia; que neles havia conversas complexas as quais eu não poderia ter com as pessoas de meu entorno. Percebi, com prazer, que eles me causavam alegria, sofrimento, dúvida, esclarecimento, descoberta, que desmentiam ensinamentos que eu julgava por certos.

Nunca parei de ler literatura. Tudo o que me era possível ler, eu lia. A princípio, muito mais literatura brasileira e dos cânones, pois era o que tinha nas bibliotecas escolares. Já adulta, fui procurar outras leituras, tentar sanar a eterna defasagem de todas as maravilhas que ainda não conheço, defasagem que, sei, é impossível de ser sanada.

Noto que muito recentemente chega-nos com mais vigor a discussão necessária e urgente de ampliarmos nosso repertório de leituras quanto àquele/aquela que escreve. Minha geração foi treinada a ler autores homens e brancos, de um modo geral. Hoje busco corrigir isso em minha formação.

É um lugar-comum dizer “a literatura me salvou”, mas eu não tenho como fugir desse lugar-comum. A literatura me salvou.

 

*Adriane Garcia, poeta.  Em 2013 venceu o Prêmio Nacional de Literatura do Paraná, Helena Kolody, categoria poesia, com o livro “Fábulas para adulto perder o sono” (ed. Biblioteca do Paraná, ed. Confraria do Vento). Em 2014, publicou “O nome do mundo (ed. Armazém da Cultura) e em 2015, Só, com peixes (ed. Confraria do Vento). Em 2016 participou da Coleção Leve um Livro, com Embrulhado para viagem. Tem online, pela Revista Vida Secreta, o e-book “Enlouquecer é ganhar mil pássaros”.

Pássaro ferido

Posted in Ler faz crescer às 15:24 por sidneif

Por STELLA FLORENCE*

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“Vivien Leigh as Blanche Dubois in A Streetcar Named Desire” (1950), de Alfred Kingsley Lawrence (1893-1975)

Você conhece Blanche Dubois? Não? Nesse caso, preciso urgente te apresentar à famosa personagem de Tennessee Williams. A razão é simples: eu sou Blanche, você é Blanche, todas nós somos, em alguma medida, essa mulher que mergulha no desejo como oposição à morte, que foge da luz da realidade tanto quanto da luz física que expõe em seu rosto a desesperadora passagem do tempo, que toma banhos como Lady Macbeth lava as mãos, que sempre dependeu da bondade de estranhos, que vê as coisas como elas deveriam ser e não como são, essa mulher que inventa seus amores, que os veste de encantos e qualidades que eles jamais tiveram, que se dedica tão freneticamente a tal invenção que está à beira de um colapso absoluto.

 Blanche é tão grandiosa que já foi interpretada por Jessica Tandy, Vivien Leigh, Eva Wilma, Maria Fernanda, Ann-Margret, Glenn Close, Leona Cavalli, Natasha Richardson, Cate Blanchett, e recentemente foi trazida à luz de forma emocionante, visceral e estupenda por Maria Luísa Mendonça. Pausa para as palmas. Muitas!

 Antes de continuar é preciso que você conheça a história de “Um bonde chamado desejo”. Atenção: mil spoilers a seguir!

 Stella Kowalski está grávida e perfeitamente adaptada a uma vida sem luxos, mas repleta de desejo, junto ao marido, o cafuçu-tesão Stanley Kowalski, quando sua irmã, a sofisticada e coquete Blanche Dubois, chega falida, de mala e cuia. Os três passam assim a dividir um pedaço de cortiço: intimidade, raiva, orgulho, culpa, medo e desejo de sobra, privacidade nenhuma.

 Esse convívio é demais para Blanche, que acaba por enlouquecer no final. Muitos sustentam que ela perde a razão já instável depois que o cunhado machão a estupra. Mas ela rompe com a realidade de vez quando Mitch, um namorado e pretendente a marido, rompe com ela. Não é, portanto, a brutalidade de Stanley Kowalski que retira sua última esperança de sanidade e amparo, mas sim o abandono de Mitch. Eis o maior dos medos femininos: o abandono.

 Apenas com Mitch ela alcança dois preciosos momentos de contato com a realidade, da qual sistematicamente fugia. No primeiro deles, após um passeio, Blanche, que é viúva, conta a Mitch sobre seu casamento com um jovem gay, o flagrante sexual, o suicídio dele e, deixando de lado qualquer manipulação para seduzi-lo, desabafa que depois de perder o ex-marido, que era seu sol, nunca mais houve outra luz em sua vida que fosse mais forte que uma pobre luz de vela. Mitch então propõe que ambos unam suas solidões e fiquem juntos. É uma cena tocante e repleta de esperança.

 Havia a possibilidade de que uma relação verdadeira fosse construída entre Blanche e Mitch, seriam então dois náufragos que conscientemente se agarrariam um ao outro, reverenciando com serenidade esse modo de sobreviver. Stanley, porém, furioso com Blanche, que costuma expor a diferença de estirpe que há entre ele e as irmãs Dubois, conta a Mitch tudo que descobre sobre o passado dela, o que gera o rompimento.

 O segundo contato de Blanche com a realidade, através de outro encontro com Mitch, se dá quando ele não aparece em seu aniversário e, depois que a festa amarga termina, ele chega bêbado, exigindo vê-la sob a luz, exigindo aquilo que ele não teve todo o verão, querendo chegar às vias de fato. Blanche diz que, sim, teve muitas intimidades com estranhos depois do suicídio do marido. “Eu acho que era pânico, somente pânico, que me levava de um para outro.” Depois, ela pede, “case comigo, Mitch!”, mas ele retira sua última esperança de proteção, ele fecha a última fenda na rocha do mundo na qual ela poderia se abrigar, dizendo “você não é limpa o bastante para entrar na casa da minha mãe”, e é aí, nesse exato ponto, que ela perde de vez o contato com o real. Quando Stanley chega da maternidade na qual deixou Stella internada à espera do bebê, encontra Blanche já em surto, travestida como em um carnaval romântico.

 Havia um pássaro caindo com ambas as asas quebradas: esta é a Blanche que o estilingue-estupro de Stanley atinge. Um pássaro já ferido de morte e em franca queda ao abismo.

 Blanche Dubois é mais do que uma boa personagem: ela é um riquíssimo arquétipo feminino. Eu chegaria mesmo a dizer que Blanche e sua irmã Stella abarcam todos os aspectos do feminino romântico porque, enquanto Blanche escolhe a fantasia, Stella, ao contrário, cavalga e domina o real. E nessa mesma gangorra nos debatemos nós, mulheres modernas. A sorte é que nossos destinos não estão traçados desde o início, como o de Blanche: nós ainda podemos escolher não a fantasia que enlouquece, mas a realidade que estrutura.

 

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Foto: Kriz Knack

*Stella Florence, escritora, autora dos livros “Loucura de Estimação (crônicas de amor e sexo), “Eu me Possuo” (romance sobre superação de um estupro), “Os Indecentes”, “32 – 32 anos, 32 homens, 32 tatuagens”, “Hoje Acordei Gorda”, “O Diabo que te Carregue!”, entre outros. https://www.stellaflorence.net

 

4 de Maio de 2018

Ganhar vidas

Posted in Sem categoria às 17:34 por sidneif

Por LISA ALVES*

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“Amanhecer Perfumado por uma Chuva de Ouro” (1954), de Joan Miró (1893-1983)

O [Jorge Luis] Borges escreveu uma vez que sempre imaginou que o paraíso fosse uma espécie de livraria. Eu acredito que os livros têm essa capacidade de nos carregar para outros lugares; viver experiências que não teríamos qualquer possibilidade nessa vida; praticar nossa capacidade de empatia e o melhor e até mais importante: exercitar a imaginação.

Eu sou uma leitora assídua de textos narrativos e poéticos e quanto mais eu leio mais sinto facilidade de criar. Atualmente estou lendo o livro de contos “No seu pescoço” da nigeriana Chimamanda Ngozi e sinto que até o momento (pois ainda não finalizei a leitura) a obra conseguiu desconstruir alguns estereótipos que estranhamente eu havia acolhido em relação ao modo de vida de lugares que nunca visitei como a própria Nigéria. Da mesma forma aprendi muito sobre a explosão da revolução haitiana contra a colônia francesa no romance “A Ilha sob o mar” da escritora chilena Isabel Allende. Outro romance que me deslocou foi “De volta a Istambul” da escritora turca Elif Şafak. Até hoje sonho com Istambul sem nunca ter pisado em Istambul.

Até agora citei quatro autores de lugares diferentes e culturas diferentes: Borges (Argentina), Chimamanda (Nigéria), Isabel Allende (Chile) e Elif Şafak (Turquia). Ler a obra dessas pessoas e de tantas outras me tira de mim sem me anular. É como se eu crescesse mais rápido. Se formos calcular o tempo de vida e experiência que cada um teve que dar para que pudéssemos ler um livro em dois dias (ou um mês, que seja), teríamos um juízo melhor do que é essa tal de leitura e o motivo que levou Borges chamar uma livraria de paraíso. Leitura é ganhar vida ou ganhar vidas. Quando você se torna leitor deixa de ser um e passa a ser múltiplo.

lisa Alves (2)* Lisa Alves (Araxá, 1981) é colaboradora da revista Mallarmargens, coeditora da Liberoamerica (Espanha) e resenha livros para a revista Incomunidade (Portugal). Tem textos publicados em diversas revistas, jornais e páginas literárias no Brasil, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal. Tem poemas publicados em dez antologias lançadas no Brasil, Argentina, Uruguai e País Basco. Lançou o livro “Arame Farpado” em 2015 (Lug Editora, RJ).

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Os dois lados da vida

Posted in Sem categoria às 17:30 por sidneif

Por ÉRICA BOMBARDI*

Tríptico del jardín de las delicias

“O Jardim das Delícias Terrenas” (1490-1500), de Hieronymus Bosch  (1450-1616)

Eu não existo sem a literatura. Foi nos livros que aprendi a significar e interiorizar a amizade, o amor, a sabedoria, a alegria, a dor, a incompreensão, o lado bom e o lado ruim da vida. Os livros ensinam, os livros enriquecem nosso universo, os livros me ensinaram e ensinam, dão-me argumento para responder às demandas do mundo, dão-me esperança e forças. Ensinam que não é preciso entender tudo racionalmente, que em nossa caminhada também precisamos sentir, que se cresce também pela compreensão. O dia a dia é muito rápido. Como diz Raul Seixas, estamos imersos nos “pegue-e-pagues”, não há tempo para pensar, não há tempo para contemplar, não há tempo para sentir e ressignificar. Não há mesmo? Errado. Há sim. Há tempo para a vida plena. Por mais que sintamos essa imposição de pressa, de utilitarismo, de egoísmo, isso não é o que somos. Somos maiores e melhores. Escolha um livro, escolha um lugar sossegado, deliciosamente silencioso, e leia. Você vai encontrar ali o que precisa, o que realmente precisa.

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*Érica Bombardi, escritora, editora de texto e responsável pelo blog ericabombardi.

Histórias de gente grande

Posted in Ler faz crescer às 17:29 por sidneif

Por LADYCE WEST*

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“Garota Lendo” (c.1890), de Auguste Renoir (1841-1819)

Ler foi meu primeiro divertimento.  Venho de uma família de leitores, sou a mais velha e imitar pai e mãe foi natural. Li muito quando criança. Os livros de Monteiro Lobato foram essenciais na minha formação, mas todas as histórias para crianças da Condessa de Ségur ao “Menino do Dedo Verde” ( de Maurice Druon) fizeram a base desse carinho por livros. Minha mãe me apresentou aos romances de José de Alencar, quando fiz 11 anos.  Estava naquela fase de não ser mais criancinha e queria ler livros de “gente grande”. “O tronco do Ipê” foi o escolhido.  Daí para outros romances leves dos nossos clássicos foi uma passo.  Li muito na adolescência: dos quadrinhos a romances água-com-açúcar, aos clássicos.  Li também escritores sérios, porque havia uma biblioteca pública a menos de 500 metros de onde morávamos.  Aos 12-13 anos eu tinha um grupinho de amigos que se encontrava na biblioteca.  Havia uma quase competição para ver quem lia mais.  Meninos e meninas entre 12-13 a 15-16 anos batiam papo na porta da biblioteca segurando livros que levariam para casa para ler.  Neste período me tornei realmente eclética lendo de Arsène Lupin¹ às aventuras de Charlie Chan², a W. Somerset Maugham e Ernest Hemmingway. Pensei em fazer Letras.  Cheguei a cursar o primeiro ano de Francês na Universidade Federal Fluminense.  Mas fui atraída para a História da Arte, e com ela tive diversas funções pelo resto da vida. A leitura de ficção, no entanto, nunca deixou de ter espaço diário na minha vida. Melhorei o meu inglês com obras de Agatha Christie.  Mas além dos livros, bibliotecas sempre foram importantes para mim.  Utilizei a biblioteca do Colégio Pedro II, onde estudei, e a Biblioteca Nacional quando fazia Letras.  Nos Estados Unidos, onde fiz a faculdade, fiquei muito impressionada com as bibliotecas universitárias, e ainda com aquelas que têm partes subterrâneas para garantir a permanência do saber em caso de guerra ou bombardeios (Johns Hopkins University, University of Maryland, Duke University  foram algumas que visitei com essa arquitetura).  Mas é a Biblioteca do Congresso americano que foi decisiva para mim.  Serviu de base para os livros que usei nos cursos de mestrado e doutoramento, mas foi ainda mais importante:  foi lá que encontrei meu marido, um americano, professor universitário de literatura ,que passava alguns dias em Washington DC em pesquisa para o livro que escrevia.  O resto é história.

*Ladyce West, professora, historiadora e arte e titular do blog Peregrina Cultural.

 

  1. Arsène Lupin, o ladrão de casaca,  é um personagem da literatura policial criado pelo escritor francês Maurice Leblanc (1864-1941).
  2. O detetive sino-americano Charlie Chan é um personagem criado pelo escritor e dramaturgo americano Earl Derr Biggers (1884-1933).