20 de Novembro de 2017

Ler e crescer

Posted in Ler faz crescer às 14:54 por sidneif

Por ROSANA BANHAROLI*

Mulher Segurando uma Balança

“Mulher segurando uma balança” (c. 1664), do holandês Johannes Vermeer (1632 – 1675 ).

“A Educação forma. A Cultura acolhe. Educação e Cultura juntas proporcionam ferramentas para a transformação de indivíduo a cidadão”

Rosana Banharoli

O indivíduo que lê, além do conhecimento adquirido, seja pedagógico ou ficcional, será um cidadão capaz de decisões conscientes. Isto é, será capaz de contextualizar a sua vida, as suas escolhas. E, mais que isso: será capaz de ser dono de opinião perante o estado/status das coisas.

E é esta, a meu ver,  a colheita mais importante: o ser cidadão construído através de seus conhecimentos.

Quando criança, ao observar a conversa entre adultos ( fui uma criança muito curiosa) ,me lembro de que tinha um forte desejo: o de um dia ter a minha opinião. Não a que meus pais tinham, mas a minha.

Se hoje aqui escrevo é porque o consegui. Não digo que ela é verdade absoluta e nem que não a mudarei, mas com certeza, adquiri conhecimento e vivência para tê-la: minha própria!

 


 

1 – um dia minha sobrinha, Laura, me perguntou o porquê de eu preferir livro ao cinema.

Gosto muito de cinema, mas o livro me proporciona o uso de minha imaginação. Os meus cenários, as trilhas sonoras das histórias que leio são parte minha e não a mostrada pelo diretor. Além de desenhar os personagens e de ter os diálogos e a narrativa mais próximos. Além de, às vezes, em segredo, me colocar na trama. Na época, ela tinha assistido ao filme do Harry Potter. Depois da nossa conversa, ela leu todos os livros da saga. Mais uma leitora!

2- em 2010, fiz parte de um grupo de Leitores Itinerantes. Líamos Carlos Drummond de Andrade, nas escolas do ensino fundamental, da cidade.

Tinha acabado de ler E, agora José quando uma aluna me disse que já estava vendo um homem sentado em uma cadeira de rodas, numa esquina, se perguntando: – E, agora?

Outros acontecimentos, neste projeto: – Se eu colocar Itabira, no Google, consigo ver a cidade onde ele nasceu?; – Na biblioteca tem livros dele?  Vou fazer a carteirinha, hoje mesmo; – Eu também; – Eu também!; – Nossa! Vocês  também são escritores  e não estão mortos?

Além de apresentar o nosso Poeta aos alunos, incentivamos a leitura e, acredito, a escrita, pois éramos escritores, estávamos vivos e morávamos na mesma cidade deles (Santo André-SP).

3- há pouco tempo: você só lê e escreve ou lava louça, limpa a casa?

Sim, faço tudo e mais um tanto. E, assim: mais uma escritora  diante da normalidade da vida.

Hoje, não faço mais leituras para crianças, mas proporciono, em meus projetos líteroculturais, contações de histórias; oficinas de criação literária e oficinas de leitura crítica, sempre com profissionais de excelência. Divulgo livros e autores no facebook e em palestras. Resultado: os comentários nas postagens e nos e-mails que recebo: -Estou lendo; Estou escrevendo um livro… Fora os originais que me são entregues.

Sim, a leitura transforma, acrescenta e faz crescer moralmente, culturalmente e desperta  a criatividade. Também, uma pessoa que lê terá um vocabulário e conhecimento que o fará ser um cidadão mais completo. Nunca só mais um.

Ah! Menti: leio para os meus netos, Arthur e Cesar.

*Rosana Banharoli, jornalista por formação; poeta por teimosia. Autora de “Espasmos na Rotina”, poesia, Patuá -, 2017; “As Gotinhas”, em parceria com Denise de Oliveira Masselco, pedagógico/poesia, 2017; “3h30 ou quase isso”, verso&prosa, e-book, Amazon -,2013 ; “Ventos de Chuva”, poesia, Scortecci -2011 e “Cesar o menino superincrível”, no prelo. Publicada em diversas antologias e revistas nacionais e internacionais . Integrante do Projeto Multimidia, Poemaria e dos Coletivos  Sarau da Paulista e Mulheres Obscenas. É membro do Movimento Nacional Mulherio das Letras. É co-idealizadora e curadora dos Projetos: Fliparanapiacaba 2014; Empório Cultural,2015; Leva&Traz 2016 e Vozes da Globalização: Indentidade e Gênero 2010.

 

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