19 de Agosto de 2014

Mundos imaginários, reais e interiores

Posted in Ler faz crescer às 14:45 por sidneif

Por ROSALY SENRA*

"Eu e a Aldeia" (1911), de Marc Chagall (1887-1985).

“Eu e a Aldeia” (1911), pintura de Marc Chagall (1887-1985).

Meu amor pela literatura começou cedo, dentro de casa. Fui criada em casa de vó e tinha uma tia que para mim lia, antes de dormir, as histórias de Monteiro Lobato (1882-1948). Começou com Reinações de Narizinho, depois Caçada de Pedrinho, A Chave do Tamanho e todos os outros. Lia-as e me fazia imaginar cada passagem da história, contando o que imaginava quando ela a lera pela primeira vez. Para ela, o Reino das Águas Claras era um lugar real, onde costumava passar as férias, na fazenda de sua avó, minha bisavó. E ela contava e me fazia imaginar aquele lugar mágico, que ela conhecia de fato. Eu ficava muito fascinada. Hoje ela me conta ainda que, quando criança, lia escondido os livros do Monteiro Lobato, proibido e censurado pelo Governo Vargas.

Quando já sabia ler, fui ganhando livros. Um dos primeiros que lembro ter ganhado (a Coleção do Monteiro Lobato era da minha tia) foi a história do Rique-roque¹, o ratinho que queria comer a lua. Eu achava muita graça daquele ratinho guloso.

Eu tinha uns 10 anos quando começou a ser lançada a Revista Recreio. Eu ajuntava um dinheirinho e esperava chegar o sábado. A revista rendia brincadeira e história durante toda a semana. Fui crescendo nesse ambiente.

Na época de escolher um curso superior,  titubeei entre Comunicação e Biblioteconomia. Gostava também de História, Arqueologia, mas acabei cursando mesmo Biblioteconomia. No início achei meio maçante, até que descobri a literatura, a poesia, a história da literatura.

Comecei a estagiar no carro-biblioteca e me encantei outra vez com as histórias infantis, juvenis… aqueles autores mágicos que eu voltava a encontrar. Sim, os autores que estavam publicando nessa época eram aqueles da Revista Recreio:  Ruth Rocha, Joel Rufino dos Santos, Ana maria Machado, Sonia Robatto e tantos outros.

Depois a vida me levou para outros cantos e encantos, mas o amor pelos livros já estava impregnado em mim. Acabei também cursando jornalismo e radialismo, e na época em que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ganhou sua rádio, me transferi pra lá. Um programa de literatura no rádio, com entrevistas e conversas com agentes de leituras, autores…. outra vez, depois de um hiato, novo contato com aqueles autores maravilhosos da minha infância e com os da nova geração.

Descobri lendo que a literatura, não importa para qual público, é sempre algo que nos faz crescer, que amplia universos, mapas, horizontes… nos faz conhecer mundos imaginários, reais e interiores, além de trazer os mundos desconhecidos da natureza humana.

Eu consegui ajuntar o gosto com o estudado, afinal, bibliotecária jornalista fazendo programa de rádio, conversando com autores diariamente dá um prazer imenso, mas exige leitura constante, atualizada e permanente. Minha sorte!

*Rosaly Senra, bibliotecária, jornalista. Apresenta o programa “Universo Literário” na Rádio UFMG.
 
 
 
  1. “Rique-Roque, O Ratinho Sonhador”, Livro de Maria Thereza Cunha de Giacomo.
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