20 de Agosto de 2013

Comunicação de emoções

Posted in Ler faz crescer às 17:48 por sidneif

Por FABIO MECHETTI*

"O concerto" (c. 1665), do pintor holândes Johannes Wermeer (1632-1675).

“O concerto” (c. 1665), do pintor holandês Johannes Wermeer (1632-1675).

O Papel da Leitura na Minha Vida

Para mim, a leitura é quase tão essencial como a música, que é a minha vida. Estou sempre lendo, relendo, escrevendo e busco na literatura inspiração, subsídios, fortalecimento, questionamento, afirmação para aplicar de maneira prática no meu modo de viver.

 A Leitura e a Profissão

Ser maestro é, acima de tudo, ser um pensador. Nós não fazemos diretamente sons com nossas mãos. Quase todo o nosso trabalho é, de certa maneira, intelectual: análise das partituras, enquadramento destas sob a ótica técnica, histórica, filosófica, étnica, psicológica. Alia-se a isso a função do artista como instrumento de emancipação da sociedade no momento em que contribuímos para o seu legado cultural. Nada disso seria possível sem uma fundamentação muito grande baseada naquilo que outros pensadores, historiadores, sociólogos, propuseram. Todas as artes interagem entre em si em busca de uma melhor concepção da comunicação de emoções. Mas, de todas elas, a literatura é a que mais se aproxima da música e, portanto, estar imerso nela é fundamental.

Livros em Minha Vida

São tantos livros que aqui não teria espaço para citá-los e justificar a importância deles . Mas alguns são realmente fundamentais.

O Dom Quixote, de MIguel de Cervantes (1547-1616), por exemplo, é, por natureza, a definição daquilo que é ser artista e ,portanto, tem uma profunda e direta mensagem que nós artistas carregamos em nossa vida profissional e mesmo na privada. É a ideia de que “não existe nada mais louco que ver o mundo como ele é e não como deveria ser”. Essa é a própria definição da função da arte, da boa arte, a constante busca de uma proposta para um mundo melhor.

Sou um racionalista convicto e vivo lendo e relendo as obras de Immanuel Kant (1724-1804), que me parecem ideias infelizmente um tanto esquecidas na vida moderna, mas que deveriam ser revisitadas para que pudéssemos entender melhor as questões da vida contemporânea e ver, até com certo deslumbre, a visão ousada e ainda relevante que Kant propõe em suas obras.

Mesmo sendo um racionalista é sempre importante contrapor e harmonizar isso com posições inteligentes expressas por outros escritores que propuseram outras visões de mundo. Para isso, valho-me muito das profundas ideias expressas nos ensaios de Ralph Waldo Emerson (1803-1882), na exploração emocional de uma humanidade imperfeita refletida nos dramas de Shakespeare (1564-1616), na perspicácia social manifestada nas obras de Machado de Assis (1839-1908) e de Eça de Queirós (1845-1900), no virtuosismo de José Saramago (1922-2010), na fantasia pragmática de Gabriel García Márquez. Enfim, há muito lido e a ser lido.

Agora mesmo estou lendo um livro de Mario Vargas Llosa recém-lançado e que resume muito bem uma preocupação muito grande minha,  expressa em entrevistas e nos artigos que escrevi, acerca do abismal e precipitado declínio cultural de nossa sociedade. Chama-se A Civilização do Espetáculo: leitura obrigatória a todos aqueles que se interessam por Cultura.

 *Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.
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1 Comentário »

  1. M Cecilia Ribeiro said,

    Continue assim sempre lendo , aumentando conhecimentos , engajando-se no mundo ! Estou profundamente imersa no livro do Vargas …


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