23 de Maio de 2013

O prazer da leitura

Posted in Ler faz crescer às 16:35 por sidneif

Por ALCIDES BUSS*

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Há livros que valem pela primeira página e outros pela última linha. Há livros íntegros, dos quais as palavras, de ponta a ponta, se atam ao leitor, indispensáveis e vitais após ter-se iniciado o périplo de sua leitura. Há aqueles, também, em que logramos captar duas ou três sentenças que marcam de verdade e para sempre.

Os dois casos iniciais, para sorte dos autores, dependem absolutamente de quem está à frente das letras ordenadas em sequências de ritmo, de sonoridade ou de sentido. Variam, pois, de momento para momento, de lugar para lugar. Têm a sorte de encontrar eco em vozes variadas que, às vezes, se alastram. Deixemo-los, então, à deriva na constância ou inconstância das ondas.

Dos livros íntegros se diga: neles não há nada que falte, nem tampouco nada que sobre. São muitos? Certamente, não. Leitores diversos terão opiniões distintas frente ao desafio de nomeá-los. Por mim, em meditada inquietação, atrevo-me a dizer que cabe nesta “áurea” o pequeno grande romance de Ernest Hemingway (1899-1961), O velho e o Mar. Ou, com ímpeto de afeto, o esmerado Vidas Secas, do brasileiríssimo Graciliano Ramos (1892-1953). De dois em dois, que outros caberiam nesta sina?

Dos livros, enfim, dos quais captamos frases “de vida”, iluminadoras de alguma paixão encoberta ou de alguma verdade desperta, podemos listá-los “à mão cheia”, pra usar uma expressão de Castro Alves (1847-1971). Não há livros de ficção, de poesia ou de memória dos quais não se possa colher o fruto doce ou amargo da vida. Aqui, para apenas dar testemunho do acaso ungido em lembranças, adentro os diários de Susan Sontag (Diários – 1947-63, Companhia das letras, 2009), em dois correlatos momentos:

“Para escrever, é preciso permitir-se ser a pessoa que você não quer ser (entre todas as pessoas que você é).”

“Escrever é um bonito ato. Cria algo que dará prazer aos outros mais tarde.”

As duas citações, dos diários, foram feitas na idade madura da escritora e filósofa americana.

Na primeira, evidencia-se o mistério que sempre ronda a identidade do escritor. Aquele que assina os escritos representa uma parte de um corpo/espírito, em sua essência, múltiplo. O escritor representa essa força da natureza e é ela que o rege nas opções e escolhas.

Na segunda citação, explicita-se a leitura como fonte de prazer. Sem dúvidas, é esta força motriz que enlaça autores, livros e leitores. O grande leitor é aquele, antes de mais nada, que busca nos livros a fruição prazerosa da atividade intelectual.

Susan Sontag (1933-2005) é exemplar: buscou nos livros, especialmente nos literários, a sua formação filosófica, os seus conceitos e valores a respeito da história. Ler com acerto e sensibilidade é dispor do mundo e ao mesmo tempo dispô-lo dentro de si. É, em suma, engrandecer-se pelo viés da beleza.

*Alcides Buss, escritor, professor de Teoria Literária na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),  Coordenador do Círculo de Leitura de Florianópolis.  

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Aceite Dom Juan na sua vida, leitor¹

Posted in Ler faz crescer às 14:10 por sidneif

Por ÉLIDA LIMA*

 

 Um dia, roubaram-me o exemplar desse livro. Arrombaram o meu carro, levaram cd-player, uma cafeteira (presente que a noiva não recebeu), outros dois livros que não me ocorrem e o A Erva do Diabo. De longe, foi a perda mais difícil. Hoje, mais apegada, a estante ostenta 3 exemplares de 3 edições diferentes.

Este livro é apenas o primeiro da experiência louca que é ler a saga de Carlos Castañeda (1925-1998). São 12 livros que narram episódios fantásticos até o tal virar um super feiticeiro. Eu tenho 8. Li 6, sucessivamente. Fiquei devota durante meses.

Mas já aviso. São bem difíceis de achar. Só consegui recuperar o A Erva 33ª edição aqui em São Paulo (e não foi num sebo, que em sebo não o encontrei), na Mercearia São Pedro, graças à seleção do surreal Marquinhos, que disse: – “Esse aí, mal eu mando buscar, já vende.” – atento das prateleiras seletas de livros aos azeites de cozinha, diabos-verdes e sapólios.

E advirto. Se Castañeda chegar na hora certa, você desconstruirá o mundo, reconstruirá o seu ser, passo a passo com o próprio Castañeda. Vi um amigo, que fumava desde os 14, parar o vício e virar atleta. Porque você realmente acredita que é capaz de qualquer coisa, que você, que tudo, é muito maior. Castañeda te revoluciona.

No livro, Carlos Castañeda é um antropólogo virginiano racional, pentelho e perguntão que leva o índio, sábio e bruxo Dom Juan à exaustão até que ele, Castañeda, compreenda – que nós, leitores, compreendamos – o que é a natureza, a necessidade de morte e renascimento, o caminho do guerreiro e muitas, muitas, muitas, muitas outras viagens.
Ele traduz a língua sem lastro dos indíos encantados, o invisível, o intocável… para a língua dos homens ocidentais, de pensamento metódico, cético e organizado. Uma ponte muito forte entre aquela e esta civilização. E desta, quando você você vê, já está quase desacreditado. Ouvir o vento se torna mais importante.

Para aqueles de sentido forte. Para jovens, para ousados ou para qualquer um que acredite em enxergar além do que se vê.

 
*Élida Lima, escritora, poeta, ensaísta e publicitária. Assina os livros Voador e Cartas ao Max ( obra de estreia da autora na categoria crítica literária).

¹O texto é indicação da própria autora para a  seção Ler faz crescer  e originalmente foi publicado no blog Cartas ao Max.

6 de Maio de 2013

Minha experiência como leitora

Posted in Ler faz crescer às 16:15 por sidneif

Por ISMÊNIA NUNES*

 

 O COMEÇO, A INFÂNCIA

Olá, vou tentar colocar no papel um pouco da minha experiência como leitora. Acredito que para isso seja interessante voltar um pouco ao passado. Ou seja, quando era criança, para então chegar aos dias atuais.

Lembro-me das imagens do meu primeiro livro, digo, de suas ilustrações. Já que quando o ganhei ainda não sabia ler. Eu iria entrar para o primeiro ano, estava completando sete anos. Naquele tempo não era como hoje que se aprende a ler antes dessa idade. Era um livro com uma capa vermelha; os personagens eram um garoto e alguns anões… Acredito que o livro se chamava No país dos anões (Maria do Carmo Vieira). Ganhei aquele livro de presente de meu pai, mas sentia muito não saber ler para entender a história.

Tempos depois, quando já sabia ler, recordo-me que na escola havia aulas de leitura.  Neste dia, cada um lia uma história ou um trecho. Eu sabia que minha vez estava chegando. Tinha pelo menos oito anos de idade, uma menininha franzina, magrinha de cabelos castanhos e compridos… Lembro que, enquanto minha vez ia se aproximando, eu tremia, ia ficando nervosa, parecia que meu coração ia sair pela boca…

ENTRAR NA LEITURA

Foto: Ismênia Nunes – São José – SC

Passado isso, agora na fase adulta, não vou dizer que me interessei pela leitura de imediato. Muitas vezes demora até que possamos despertar. Não sei exatamente em que momento acabei me vendo uma leitora. Mas lembro-me que aos doze anos de idade gostava de rabiscar meus poemas, comecei a gostar de escrever… Teria sido aí meu ingresso? Nem mesmo eu consigo me situar quando realmente isso aconteceu.

Mas uma coisa eu sei – entrar na leitura, sentir-se parte dela, viajar, poder ser o personagem, sonhar com ele, torcer por ele. É algo que não tem explicação.

Aprecio romances, mas outros tipos de leituras como história e biografias me agradam muito. Um romance que não poderia deixar de mencionar é o livro da autora carioca Adriana Brazil, Outono de Sonhos, acho que foi o livro que li mais rápido. Num único dia li mais da metade do livro, eu não queria largar; queria saber o que iria acontecer. O livro é isso, um mundo mágico que o faz viajar, um mundo onde você pode sentir o que personagem sente. Você pode viajar sem sair do lugar.

Outro estilo também muito bom é o livro-reportagem de Eliane Brum, jornalista e escritora. O seu livro O Olho da Rua traz histórias reais de pessoas reais. No prefácio do livro,  o jornalista Caco Barcellos destaca que “Se as histórias contadas no livro fossem publicadas como ficção, o leitor pensaria que o autor exagerou.” E o livro é isso, nos dá a possibilidade tanto de estar entre o real e o ficcional.

Ler é muito bom, mas é claro, precisamos começar; tomar gosto. A pessoa precisa vivenciar a sensação. Às vezes, ela não se identifica com o tipo de leitura. Ela precisa saber que tipo de leitura mais lhe atraí; para então entrar e curtir. Claro que muitas leituras são obrigatórias e delas não poderemos fugir. Mas o importante é permitir essa entrada para dentro do livro.

O EXEMPLO, OS FILHOS

Fotos: Ismênia Nunes – São José – SC

Tenho dois filhos, e graças à Deus eles também gostam de ler. Minha filha mesmo é apaixonada por livros e nestes dias conversávamos a respeito disso, quando ela me disse que tem colegas que nunca leram nada. Eles ainda não conhecem o prazer de ler; de se sentir na história, de vivenciá-la. É uma experiência única para ser experimentada; digo, para aqueles que ainda não se acharam, que precisam pelo menos começar. Quando menos perceberem já se verão dentro do personagem, da história, do livro.

Meus filhos, Tiago e Géssica, desde pequenos escreviam pequenos poemas.  E assim como eu, minha filha também já iniciou seu romance. Ela percebe que, além da leitura dos livros de que gosta, precisa pesquisar outros assuntos para poder escrever. Vai à busca de informação e conhecimento.

Como disse anteriormente, escrevo desde meus doze anos. Mas foi a partir do ano de 2000 que comecei a me dedicar mais a isso e tive o desejo de publicar meu livro. É um grande sonho, que acredito esteja próximo de ser realizado. Publicar um livro não é algo fácil ou barato. Estou terminando o livro O Segredo de Norberto. Um romance com muitas pesquisas, afinal temos que aproveitar o livro pra difundir conhecimento e cultura. Para mim escritor não é aquele que já tem seu livro publicado, escritor é aquele que escreve. E para que o escritor possa ter sucesso, ele precisa de você, leitor.

*Ismênia Nunes, acadêmica de Jornalismo e blogueira. 

Ismenianunes_jornalismo@yahoo.com.br

 http://blogismenianunes.blogspot.com.br

http://gazetadopovosc.blogspot.com.br

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=38696

Experiência de leitura de uma adolescente

Posted in Ler faz crescer às 16:12 por sidneif

Por GÉSSICA NUNES DA SILVA *

      

Fotos: Ismênia Nunes / Géssica Nunes – São José – SC

Nem me lembro quando li meu primeiro livro. Vou dizer a realidade, nunca gostei de ler. Mas eu sei por que eu não gostava. Meus pais, professores, me mandavam ler livros históricos ou antigos. Eu os lia e com certeza esses livros eram chatos.

Para você gostar de ler, tem que começar com um estilo de que goste. Se  gosta de romance, suspense, terror, poesia, seja o que for, você não se atrairá  por uma linguagem antiga ou pelo livro que geralmente os professores pedem –  história ou acontecimentos do mundo ou do Brasil.

No meu caso gosto de livro de suspense, ação, terror, vampiros.  Isso me prende à leitura. Simplesmente, não consigo desviar o olhar das letras quando estou lendo.

Se você não conhece o livro ou nunca parou para lê-lo, vai dizer que é chato, perda de tempo e muito mais. Mas é por que você ainda não achou seu estilo. Um livro que o prenda e que dê vontade de lê-lo em qualquer hora vaga. Depois que você já souber seu estilo, vai começar a gostar dos outros. O estilo de sua preferência vai permanecer; mas você vai começar a ler outras coisas. E aí vai ver que isso é legal, e você só vai percebê-lo se nas primeiras leituras pegar alguns livros que lhe agradem. Se  pegar um livro que não seja seu estilo, a leitura ficará monótona. Vai sempre achar que a leitura é chata.  É essa a lembrança, a sensação que você terá da última leitura.

No meu caso, não consigo ficar quinze dias sem ler. Parece que estou incompleta, dá uma agonia. Uma vontade de saber, uma sede de ler, a sensação é que o livro está me chamando, eu me sinto pela metade quando não estou lendo. Quando estou lendo, viajo para outro lugar. Podem achar besteira, mas realmente viajo. Chego a imaginar a aparência e a fala para cada personagem. Quando estou lendo, tudo pode acontecer; geralmente não vejo e nem escuto nada.

Recomendo muito à leitura, por que o livra do tédio. Sou adolescente, tenho 16 anos, sinto um tédio horrível se não ler. A leitura o faz rir, às vezes também o faz chorar.  Ajuda-o a pensar e o faz cada vez querer ler mais. É um vício que todos deveriam ter. Um vício saudável e muito divertido.

 *Géssica Nunes da Silva, 16 anos,  estudante do primeiro ano (ensino médio), filha da blogueira Ismênia Nunes.