21 de Novembro de 2012

Descobrir o mundo através da leitura

Posted in Ler faz crescer às 14:54 por sidneif

Por EMICO OKUNO*

Nasci em Pereira Barreto, uma pequena cidade do interior paulista com a maioria da população constituída de japoneses e/ou descendentes. Não havia na cidade uma livraria, por assim dizer. Dessa forma, os primeiros livros que li foram os clássicos da literatura infantil e juvenil que um dos meus irmãos me trazia de presente de São Paulo. E eram em japonês. Dessa época me marcaram a Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (1850-1894), e, de Victor Hugo (1802- 1895),  Os Miseráveis – mais de sessenta anos depois, ao ver na TV um pequeno trecho do show tipo opereta, reconheci instantaneamente os personagens Jean Valjean, Cosette e Javert.

Sempre gostei muito de ler; leio, todas as noites na cama, tudo que me cai nas mãos: tiras de mangá, gibi e Tio Patinhas. Muitas revistas em quadrinhos como Asterix e Tim Tim descrevem detalhadamente os costumes e arquitetura locais com muita fidelidade.

Quando vim estudar o colegial em São Paulo comecei a ler Bernard Shaw (1856-1950), e minhas colegas me deram de presente uma pequena coleção das obras desse autor. Lembro-me principalmente de Pigmaleão.

São vários os autores que me marcaram. Li todos os livros que conseguia de cada um destes autores (dos quais cito as obras que mais apreciei): Archibald Joseph Cronin (1896-1981),  A Cidadela,  As chaves do Reino; Morris West (1916-1999), O Advogado do Diabo, As sandálias do Pescador; Erico Verissimo (1905-1975), Olhai os Lírios do Campo, Incidente em Antares; Jorge Amado (1912-2001), Dona Flor e Seus Dois maridos, Gabriela, Cravo e Canela, Capitães da Areia; James Clavell (1924-1994), Xógun, Tai-Pan, Casa Nobre; José Mauro de Vasconcelos (1920-1984), Meu pé de Laranja Lima.

Mais recentemente, li quase tudo de Michael Crichton (1942-2008) – Um caso de Necessidade, O Enigma de Andrômeda, O Parque dos Dinossauros, Álbum de viagens –, Oliver Sacks – Um antropólogo em Marte, A Ilha dos Daltônicos, Vendo Vozes, Tempo de Despertar, Diário de Oaxaca.

Alguns dos livros que me impressionaram muito foram: Crime e Castigo, de Dostoievski (1821-1881), Carta de Uma Desconhecida, de Stefan Zweig (1881-1942), Clarissa, de Erico Verissimo, que se colocou no lugar de uma adolescente, O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho, que se colocou no lugar de um nissei,  A Guerra do Fim do Mundo, de Mário Vargas Llosa, uma obra que é sobre uma parte de história do Brasil.

Também costumo ler uns três livros simultaneamente. Há vários livros que não consegui ir adiante: Doutor Jivago (Boris Pasternark, 1890-1960), Esta Noite a Liberdade (Dominique Lapierre; Larry Collins, 1929-2005), Em Busca do Tempo Perdido (Proust, 1871-1992),  etc.

Ler livros me ensinou muitas coisas, entre elas a escrever livros.

*Emico Okuno, física e professora do Instituto de Física da USP.

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