26 de Setembro de 2012

Engolida pela baleia clássica

Posted in Ler faz crescer às 10:49 por sidneif

Por VERIDIANA SCARPELLI*

Uma das minhas resoluções de ano novo foi preencher, o máximo possível, as lacunas na lista de clássicos da Literatura lidos. A verdade é que, mesmo sendo uma leitora assídua e constante, li poucos (pouquíssimos) dos títulos considerados clássicos absolutos – aqueles que todo mundo já ouviu falar e até mesmo arrisca resumir o enredo, claramente se baseando na leitura de outrém.

Comecei com um livro que sempre me trouxe muita curiosidade: Moby Dick, de Herman Melville (1819-1891). Meu marido, tão observador e querido, ouvindo sobre meus planos para o ano novo, me presenteou com uma linda edição da CosacNaify (2010).

Acho que dei muita sorte! Li em uma semana, sob protesto dos amigos que sentiam minha falta no mundo real. O choque foi brutal. Descobri que eu não sabia nada de Moby Dick! E que essa história da busca obcecada do capitão Ahab era o menos interessante nesse compêndio baleeiro e humano.

Fiquei absolutamente envolvida com tudo que Ishmael contava e explicava, ora supresa com a atualidade das ponderações, ora curiosa com as especulações científicas tão primárias, por assim dizer. Chorei com as descrições das caçadas e com o relato da dimuição drástica do número de baleias nos mares – consequência direta dessa caça desenfreada, já em 1851, veja bem!

Sim, claro, extiste a história (paralela?) do capitão Ahab buscando obsessivamente Moby Dick pelos sete mares e pode-se considerar que todas as explicações técnicas (baleia, caça, barco, etc) servem para que, quando chegar a hora H, a narrativa possa correr no ritmo frenético e angustiante da caçada, sem que o leitor fique perdido entre termos estranhos.

Mais que tudo, Moby Dick me mostrou o que significa ser um clássico. Não que eu consiga (nem pretendo) escrever aqui “o que é um clássico”. Italo Calvino (1923-1985) fala muito bem sobre isso em Por Que Ler os Clássicos. Mas a verdade é que um livro não recebe esse título à toa. E é muito bom ler um clássico!

Depois de Moby Dick, li Madame Bovary (Gustave Flaubert, 1821-1880), Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez, 1928), O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald ,1896-1940), O Vermelho e o Negro (Stendhal, 1783-1842), Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa, 1908-1967) e, agora, estou no meio de Dom Quixote (Miguel Cervantes, 1547-1616). Gostei mais de uns que de outros, claro, mas todos têm um “je ne sais quoi” que não deixa dúvida de por que são livros tão repercutidos.

A lista ainda é grande e, felizmente, maior que o tempo de ler. Assim, eu sei que terei um bom livro para ler sempre.

*Veridiana Scarpelli, ilustradora.

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