25 de Julho de 2012

Recalculando a rota

Posted in Sem categoria às 14:22 por sidneif

A escritora catarinense Alana Trauczynski, que participa da seção Ler faz crescer (o depoimento dela está no próximo post), lançou recentemente o livro Recalculando a Rota (ed. RDG).  Abaixo, segue texto – enviado pela autora – sobre o teor do livro.

“Encontrar propósito através da vocação pode ser um processo natural e indolor para alguns. Para outros, um complexo e sofrido dilema. Honestidade brutal e muito humor são características que permeiam esta curiosa jornada em busca da profissão perfeita. A história se passa em cinco países e cada um deles compôs uma parte preciosa do grande mosaico de cacos, montado através do autoconhecimento: não exatamente em versão edificante, mestre-Yoda-wannabe, mas em versão trash, mete-a-cara-e-se-ferra. Ao longo do processo, a autora faz um raio-X sem censura de suas entranhas, aventura-se por muitas profissões e é forçada a acatar outras por falta de opção. ‘Recalculando a Rota’ é o que diz o GPS a cada vez que se toma um caminho errado, fato recorrente ao longo do livro. Uma história cheia de reviravoltas, pequenas tragédias, aventuras, viagens e emoções que conduzem à bênção da liberdade.”

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A leitura que desafia

Posted in Ler faz crescer às 14:21 por sidneif

Por ALANA TRAUCZYNSKI*

Não poderia dizer que sou uma leitora voraz. Sou voraz com aquilo que me agrada muito, aí sim viro uma vampira: esqueço de comer e de que existem horas no meu dia, vivo pelas madrugadas adentro.

Não sendo assim, deixo diversos livros inacabados, não tenho piedade com narrativas chatas, contos que não saem do lugar, palavras ocas.

Leio aquilo que me excita, entusiasma, me enche de vida. Gosto de romances aventurescos, histórias reais, biografias de gente interessante, livros de viagem e aqueles que me ajudam a compreender a vida e aspectos de mim mesma. Gosto de livros que me façam observar coisas que estavam obscuras, que trazem à luz verdades antes não percebidas.

Também acredito muito no momento, sempre existe um livro certo para a fase que estamos vivendo.

Não sou uma entusiasta da literatura sem vida, aquela que traz palavras bonitas ao vento, mas não tem ALMA. Gosto do que desafia minha psique, vai contra minhas opiniões, me faz ver outros pontos de vista, outros aspectos.

A leitura é uma constante ampliação de nosso campo de visão, para que tenhamos uma percepção mais completa da vida e de nós mesmos.

Um livro que mudou a minha vida recentemente foi o Despertar de uma Nova Consciência, de Eckhart Tolle, inclusive usei muitas citações dele no meu próprio livro.

*Alana Trauczynski, escritora. 

23 de Julho de 2012

Meu destino

Posted in Ler faz crescer às 15:41 por sidneif

Por ALCIR PÉCORA*

Ler para mim foi um processo quase doméstico, pois minha família tinha uma livraria em casa, e eu não tinha mais que ir ao escritório para pegar os livros que desejasse, a que horas quisesse.

A rigor, portanto, a leitura nada teve de um grande acontecimento em minha vida; foi apenas um acontecimento quotidiano que se misturou desde sempre ao meu quotidiano mais simples, um hábito que adquiri desde cedo e do qual nunca me livrei. Nem nunca senti que devesse fazer isso, embora muitos me dissessem que eu passava tempo demais ao lado dos livros.

Assim, para resumir, ler para mim foi um destino pessoal, que depois se tornou um trabalho profissional, nada mais. Não o acho edificante, nem gratificante: foi o que pude ter. Por sorte, me conformo perfeitamente com isso.

*Alcir Pécora, professor de literatura na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)  e colunista da revista Cult.

20 de Julho de 2012

Mundo sem limites

Posted in Ler faz crescer às 17:46 por sidneif

Por ELIZABETH MONTEIRO*

A leitura foi a minha companheira de infância, adolescência e mestra em toda a minha vida.

Os meus pais não tinham a compreensão que se tem hoje da importância da leitura para uma criança, mas eu tinha um pai leitor e assim descobri as maravilhas desse universo.

Aos domingos, quando ele ia comprar o Estadão (O Estado de São Paulo, jornal), pedia que me trouxesse o gibi da Luluzinha ou o do Mickey. Pedia para ele guardar o encarte infantil do jornal, para eu ler.

Ali pelos oito anos, comecei a ler os livros de agricultura e de criação de animais que ele possuia, pois era um camponês. Lembro-me que um dia lia um livro sobre a criação de porcos e perguntei ao meu pai o que significava “castrar” o animal. Ele ficou muito incomodado com a pergunta e mandou que eu parasse de ler.

Então passei a ler a coleção das Seleções Reader’s Digest, que trazia histórias fantásticas da vida real, resumo de livros famosos e uma variedade de artigos e informações.

Ganhei o meu primeiro livro de uma tia: Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur.  Li e reli milhares de vezes esse livro. Ele me conduziu ao mundo infantil, e me transformei em uma criança mais alegre e feliz.

Quando fiquei mais velha, ali pelos quinze anos, a escola me fez conhecer Jorge Amado, e as minhas amigas leitoras me apresentaram à Franz Kafka, Stendhal, Dostoiévsky, Nikos Kazantzakis… e aí eu mergulhei direto nesse mundo fantástico. Devorei milhares de livros. Li todos os clássicos, modernos e contemporâneos, filosofia e várias biografias. O meu mundo ficou enorme e não tinha limites. Eu podia ter acesso a tudo, ir a todos os lugares, por meio da leitura.

Muito jovem comecei a montar a biblioteca que deixaria para os meus filhos. Nunca pensei em deixar-lhes dinheiro ou propriedades, mas livros.

Hoje, gostaria de reler tudo o que já li agora, com a idade e a maturidade que possuo, mas me falta tempo. O meu tempo é reservado aos estudos, às minhas pesquisas, ao trabalho como psicoterapeuta e à escrita.

Quando me tornei professora do terceiro fundamental, adotei Daniel Defoe, Monteiro Lobato, Antoine de Saint-Exupéry, Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade como autores obrigatórios. Líamos e comentávamos as notícias dos jornais. Dramatizavámos as leituras, fiz com que amassem os livros e que fizessem as suas poesias. Passamos a escrever os nosso próprios livros . Sei que hoje, alguns deles são escritores, poetas e editores.

Hoje sou autora e faço a minha própria história.

*Elizabeth Monteiro, escritora, pedagoga, psicoterapeuta e atriz.

18 de Julho de 2012

Meio de imersão

Posted in Ler faz crescer às 16:16 por sidneif

Por MELISSA VETTORE*

A leitura sempre fez parte da minha vida. Aos 14 anos comecei a me interessar por filosofia, logo depois por teatro e poesia, tive a sorte de ter por perto a biblioteca da minha mãe, que é recheada de temas. Ficava lendo os títulos e desde sempre pego vários livros de uma vez.

Na escola de teatro ouvi dizer que “atores devem ler tudo, até bula de remédio”, e assim eu o venho fazendo. Interesso-me pelos diferentes temas e aprendi a relacioná-los.

Estou na peça Camille e Rodin, na qual eu interpreto Camille Claudel, a escultora francesa. Sou responsável pela pesquisa pertinente a ela, ao lado do autor que a escreveu (Franz Keppler). Li e escrevi muito sobre ela e Rodin, isso me abriu a imaginação e me aprofundou no tema. A leitura foi o meu meio de imersão na interpretação.

Acho que leituras dramáticas são ótimos convites para autores, e todo projeto de literatura deve ser incentivado, pois dele pode ser que se despertem alguns leitores ainda adormecidos.

*Melissa Vettore, atriz.

5 de Julho de 2012

Sete teses sobre a leitura

Posted in Ler faz crescer às 15:39 por sidneif

Por MIGUEL SANCHES NETO*

1.

A nossa relação com o livro pode ser bem variada. Um colecionador de raridades o vê como algo concreto, com uma existência física definida. Esta é a mesma ótica de um livreiro, uma vez que o fim de seu envolvimento é o lucro. Já para um leitor de literatura, o livro transcende a sua limitação física e passa a ser parte integrante do imaginário humano. Da leitura fica um resíduo que já não é mais o livro, mas algo híbrido e sintético que, em linhas gerais, o contém.

2.

O colecionador pode (e deve) ser um leitor. Mas este não precisa ser, necessariamente, um colecionador. Para ele, o possuir concretamente é menos importante do que internalizar a essência abstrata da obra. O valor de sua biblioteca (uma biblioteca interior, caoticamente ordenada; ou seja, a sua memória) é de ordem espiritual.

3.

Se ler é, em certo sentido, esquecer, como disse Fernando Pessoa, o ato da leitura nunca pode ser encarado como uma forma, mesmo que simbólica, de possuir o livro. Por isso nunca saberemos precisar o que lemos ao longo de nossa vida. Não obstante, carregamos um repertório de conhecimentos, na maioria das vezes em estado de inconsciência, que se manifesta indiretamente em nossas atitudes e em nossa visão de mundo.

4.

Ao nos dedicarmos à leitura de novas obras, nosso comportamento e nossas concepções tomam rumos muito diferentes, desviando-nos do caminho que todos seguem. Só acredito em pessoas que se contradizem, porque estão em progresso, em crescimento. Aqueles que mantêm uma trajetória coerente me são suspeitas. O leitor autêntico é este ser que se move, que não se torna previsível.

5.

A leitura é uma tarefa que ultrapassa o período de vida que nos foi destinado. Não existe, pois, o leitor profissional. Ninguém (a não ser o charlatão) pode dizer que já leu tudo o que tinha para ser lido, e que só lhe resta gozar a aposentadoria. O verdadeiro leitor não se aposenta. Ao contrário, é muitas vezes na aposentadoria que nasce a sede imorredoura da leitura.

6.

Há ainda um componente fundamental na relação entre o leitor e a obra. Refiro-me à palavra. Encontrei num verso de “Blanco”, poema de Octavio Paz, uma metáfora para a palavra escrita. Para o poeta mexicano, a palavra é “la enterrada con los ojos abiertos”. Ela teria, então, um par de olhos que se mantém escancarado, não obstante a sua condição de enterrado. A figura do leitor, a partir desta imagem, seria a de um arrombador de tumbas. Os livros nas estantes formariam um cemitério constituído por milhões de enterrados vivos que nós, leitores, podemos salvar – desenterrando-os das covas em que jazem e os incorporando à nossa vida.

7.

Uma outra idéia decorrente desta imagem é a da constante vigília em que vivem as palavras. O livro guarda a essência viva da humanidade. Ele é um mar de olhos que espia por todos os lados. Em última análise, nós não o lemos, e sim somos lidos por ele. Talvez seja o medo de se ver desmascarada que faça com que grande parte da humanidade não se dedique à leitura.

*Miguel Sanches Neto, escritor e crítico literário.

3 de Julho de 2012

Ler para poder escrever

Posted in Ler faz crescer às 16:25 por sidneif

Por MARIELA CASTRO*

Sim, eu também li com má vontade alguns livros que considerava chatos na escola, e cuja beleza eu só admirei anos mais tarde, em idade própria para compreendê-los. Mas, felizmente, a leitura forçada em sala de aula também trouxe delícias como a Coleção Vaga-Lume. Em casa, eu adorava uns livros de bolso que eu emprestava do meu irmão mais velho, com crianças-detetives e muita aventura.

Quando criança, eu me apaixonei por Soprinho, de Fernanda Lopes de Almeida, que ganhou o Prêmio Jabuti em 1971. Eu não sabia nada disso na época, é claro, e até hoje essa aventura encantada permanece em mim. Outro encanto infantil foi A Bolsa Amarela, de Ligia Bojunga Nunes.

Na minha casa sempre houve muitos livros, com meu pai sempre preferindo ler para entretenimento, então os títulos eram de mistério, suspense, histórias elaboradas. Por conta disso fiquei fascinada por Agatha Christie, e ela me inspirava nas minhas linhas juvenis, escrevendo histórias em que tentava copiá-la. Sempre gostei muito de escrever também.

Mais tarde fui lendo de tudo: de García Marquez a Dan Brown, de Flaubert a Tom Wolfe. Nunca consegui gostar muito de Saramago, e sonhava em ler Proust no original – coisa que nunca consegui porque também nem tentei…

Uns anos atrás li dois livros que se tornaram livros-de-cabeceira quando o tema é trabalho: Made to Stick¹, dos irmãos Chip e Dan Heath, que explica por que algumas ideias sobrevivem e outras morrem; e Good to Great², de Jim Collins, uma extensa pesquisa que mostra fatores de sucesso das empresas bem-sucedidas.

Ler me traz um prazer que é difícil descrever. Eu adoro ler na praia, mais do que na cama antes de dormir, e invejo o dom dos bons escritores, desejando um dia escrever um livro eu mesma.

*Mariela Castro, jornalista.

¹No Brasil, lançado com o título “Ideias que Colam”.
²No Brasil, lançado com o título “Empresas Feitas para Vencer”.

2 de Julho de 2012

A ciranda dos livros

Posted in Ler faz crescer às 15:22 por sidneif

Por ELVIRA VIGNA*

Peguei três livros da biblioteca pública do Centro Cultural São Paulo.

Do primeiro não gostei. E, portanto, dele não falarei.

Os outros foram: “Azul-Corvo” de Adriana Lisboa; “O Mau Vidraceiro” de Nuno Ramos.

E aí não é só o prazer imenso de ler um bom livro.

É também o fato de eu tê-los encontrado em uma biblioteca pública. Pegá-los já lidos. E devolvê-los para outros lerem.

Uma parte do meu prazer lá, incrustado.

E eu revivendo um pouco do prazer de outros.

*Elvira Vigna, escritora. Lançou recentemente o livro “O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor”.