2 de Fevereiro de 2012

Prazer e conhecimento

Posted in Ler faz crescer às 14:32 por sidneif

POR LEONARDO BARÇANTE*

Os livros são um universo de descobertas. A gente vê aqueles volumes retangulares na estante e não faz ideia dos incontáveis mundos que estão ali dentro. Só descobre quem vai até eles, os abre e os lê.

Às vezes essa viagem é tranquila. Outras vezes apaixonante. Muitas vezes divertida. Outras, arrebatadora. O que conta é que sempre será uma viagem nova e enriquecedora.

Lembro-me de uma das muitas vezes que tive encontro especial com a leitura. Eu ainda era adolescente e fui atraído pela capa de um dos livros do meu avô. A obra chamava-se “Cosmos” e foi escrita pelo astrônomo Carl Sagan. Inicialmente provocado pelas imagens de constelações, estrelas e mundos, fui beliscando o texto que orbitava as fotografias mais interessantes, em busca da explicação sobre aquela maravilha que meus olhos viam.

E fui fisgado. De uma leitura salpicada e fragmentada, passei a ler o livro desde o princípio. Das legendas e textos circundantes às imagens, passei a buscar o sentido mais inteiro da obra. Num texto científico, técnico e com foco no exato, algo que poderia assustar leitores iniciantes e jovens como eu era naquela época, descobri a poesia, o ritmo e a beleza de histórias que se relacionam e tentam explicar a vida e o universo.

A evolução das espécies, o poder da gravidade, a distância entre as estrelas… o autor descortinava uma rica gama de assuntos que eu navegava com um deleite que poder-se-ia comparar à magnitude da velocidade da luz no vácuo (números que eu acabava de aprender). Foi ali, com o Cosmos na mão, que descobri que o antigo interesse dos homens pelo céu noturno reflete a nossa sede mais elementar de fazer perguntas e obter respostas.

E a leitura – os livros na estante ou em qualquer plataforma – é uma das maiores, senão a maior, aliada da gente nessa busca permanente pelo prazer e pelo conhecimento.

Todos sabemos da importância de se incentivar a leitura nas crianças para o desenvolvimento do hábito. Mas o gosto de ler é algo que não tem idade para começar. Sempre é tempo de embarcar na grande viagem da literatura.

O meu encontro com o sabor das letras foi meio tardio. Comecei a ler com mais frequência aos 17 anos, muito estimulado por meu avô Higino, por sua reverência ao poder dos livros, pelas tantas histórias que ele sempre nos contava e pela rica estante de livros que possuía.

Logo em seguida, aos 21 anos, quando entrei na escola de Jornalismo, o hábito se consolidou e se tornou um aliado no desenvolvimento profissional. Tanto que hoje, aos 32, tenho o livro como companheiro quase que diário, além de uma lista crescente de obras que vou descobrindo e que entram na fila da próxima leitura.

*Leonardo Barçante, jornalista.

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