9 de Novembro de 2011

Liberdade de expressão sempre

Posted in Brasil às 10:15 por sidneif

É repugnante, sim, toda  lama de corrupção que os noticíarios jorram todo dia. Também é inevitável o desacorçoamento,  mercê de tanta impunidade e do incessante cinismo da classe política (o que foi aquilo na posse do novo ministro dos esportes? ). Diante de tanta improbidade, porém, há algo a ser valorizado. Deveras valorizado.

E é exatamente a possibilidade da imprensa descortinar  tantos escândalos. Privilégio de democracia, de lugares que respeitam a liberdade de expressão,  imprensa livre (e há setores da política nacional que insistem em controlá-la, será por  quê?) abre canal entre o coração do poder e o cidadão, permite a esse acompanhar e fiscalizar aqueles que foram eleitos para bem representá-lo e agir como dignos responsáveis da gestão pública.

Haverá sempre questionamentos sobre o intento da mídia, hesitações por causa de alinhamento político dos veículos de informação. Contra isso, entretanto, a  liberdade  de expressão é o providencial remédio.  Quanto mais livre a imprensa  e  mais veículos de informação atuarem,  o país escapa de uma única corrente de informação ( ou de uma incontestável verdade oficial). Caberá sempre ao cidadão avaliar a informação.

Saber de “estripulias” de autoridades não é nada fácil em ditaduras, em países onde há apenas a história oficial.

Celebrar a imprensa parece pouco para um Brasil tão marcado pela impunidade, mas preservar a liberdade de expressão é o começo para sólidas mundanças do comportamento da classe política.  Isso porque junto das revelações de corrupção deve estar nossa sóbria indignaçao, sem espaço para reações  “não tem jeito”, “não há o que fazer” e  “é tudo igual”.

As nossas distintas autoridades não  sonham em se desligar do poder. Qualquer fato que arranhe sua imagem perante a opinião pública (ou especificamente signifique perda de votos) causa-lhes insônia.

Um bom exemplo disso a Folha de São Paulo trouxe semanas atrás: em  resposta à decisão  do Superior Tribunal de Justiça de enxugar as câmaras municipais, o Congresso promulgou   emenda constitucional que permite o aumento do número de  edis. As câmaras municipais, é claro,  estão a aprovar  novas  cadeiras legisladoras – mais vereadores, tudo em nome da “representatividade”.   A boa  nova é que  em  algumas cidades  a farra não se consolidou por que houve manifestação popular ( de abaixo-assinado virtual a outdoors e comparecimento ao plenário da câmara).  O medo de não se reeleger foi bem maior que a tentação de facilitar a prebenda.

Foram poucas cidades, é verdade,  nas quais  tamanho desatino foi impedido. Poucas talvez porque em outras cidades nossa atitude tenha sido a de ficar à sombra . Talvez, falta-nos ainda acreditar que vale a pena  ter vergonha na cara.

Para isso, aceitar e praticar a liberdade de expressão é  um auspicioso começo.

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