29 de Outubro de 2011

Mundos e vidas diferentes

Posted in Sem categoria às 10:40 por sidneif

Por ANA MARIA GONÇALVES*

Nasci em uma cidade pequena no interior de Minas. Como não tinha livrarias, a biblioteca municipal e a modesta biblioteca da minha mãe foram meus contatos mais importantes com os livros.

Como lia muito e muito rápido, logo perdi o interesse pela literatura infantil e, de certa forma, passei a cobiçar os livros pela grossura, o que significava mais tempo de diversão.

Minha mãe possuia uma coleção de livros de Jorge Amado, e foi com Capitães de Areia que tive minha primeira experiência com literatura adulta, quando tinha por volta de 8 anos.

A partir dessa leitura minha visão do livro mudou completamente, pois foi com ela que aprendi, por exemplo, que havia crianças de rua, crianças sem pai ou mãe que levavam uma vida completamente diferente da vida de qualquer criança que eu conhecia.

Entendi que as histórias contidas nos livros podiam ir muito mais além das simples aventuras, do faz-de-conta, de príncipes, princesas e madastras. Entendi que os livros poderiam ser a forma mais rápida e fácil de conhecer um mundo que eu nem sabia que existia, mas que me despertava enorme curiosidade: caminho fácil para o vício.

E é essa a relação que ainda tenho com os livros: curiosidade pelo universo do autor, não me importando mais se real ou imaginário.

*Ana Maria Gonçalves, escritora, autora de Um defeito de Cor.

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8 de Outubro de 2011

Mergulho entre letras

Posted in Ler faz crescer às 16:12 por sidneif

Por NINA PANDOLFO*

Meu primeiro contato com livros foi quando comecei a ter noção de pintar. Meus livros eram aqueles onde apenas tinha que colorir, mas os adorava.

Depois, quando passei para a escola e iniciei a leitura, ia constantemente à biblioteca da escola pegar alguns livros , primeiramente lia o texto daquela página e ficava imaginando tudo o que lera para depois mudar de página.

Um livro que me encantou muito foi O Pequeno Príncipe, nem precisava das ilustrações para imaginar o que estava acontecendo. Ele me levava até o asteróide B 612 facilmente, via os cometas, a pequena rosinha, a serpente… Todos eles eram bem vivos pra mim.

A magia que o livro tem, o poder de fazer com que nossa imaginação funcione simultaneamente com a leitura são incríveis. Ele te transporta para outro mundo. É como fazer um mergulho profundo entre letras. Você não ouve e nem vê o que acontece ao seu redor enquanto lê.

*Nina Pandolfo, artista plástica.

1 de Outubro de 2011

Abrir caminhos

Posted in Ler faz crescer às 15:44 por sidneif

Por LILIAN*

Fui uma criança muito falante, curiosa, “perguntadeira”, mas morar em um pequeno povoado da zona rural de uma cidadezinha também pequena limitava um pouco… Aprendi a ler muito rápido e adorava os livros didáticos! Únicos da minha casa! Embora a família fosse muito religiosa, nem bíblia havia, a escola multisseriada com 10 alunos também não tinha biblioteca, então eu me agarrava como podia! Com uns 7 ou 8 anos pedi à minha madrinha, moradora da cidade, que me emprestasse uns livros. Ela era a única referência como leitora que eu tinha, me trouxe “Meu pé de laranja lima”, eu fiquei muito feliz e depois frustrada… Não entendi nada do livro, parecia outra língua… Eu tinha no máximo 8 anos… Continuei lendo livros didáticos e rótulos de tudo que aparecesse na minha frente!

Com 10 anos, mudamos pra cidade, e minha escola enfim tinha biblioteca, o meu fascínio só aumentou! Li tudo que permitiram: série Vaga-Lume, muitos clássicos adaptados para o público infanto-juvenil (eu só podia pegar livros daquela prateleira), adorei Shakespeare! Lembro bem de quando li “Sonho de uma noite de verão’, “Otelo”… À medida que podia alcançar as outras prateleiras, eu seguia… Romances, poesias, descobri que adorava contos… Meus caminhos me levaram a fazer faculdade de Letras, e lá se foi mais um tanto de outras leituras… Sou leitora desde os 7 anos por teimosia e interesse que veio não sei de onde, mas acredito que este interesse pode ser desenvolvido em todos! Foi na leitura que alimentei minhas esperanças e sonhei, sonhei muito! Nos últimos 2 anos mergulhei na leitura de biografias de artistas, em especial envolvidos com música, e também livros sobre a história da música, mas meu livro de cabeceira continua o mesmo desde os 18 anos: “Primeiras estórias”, de Guimarães Rosa. Volta e meia o releio…

Foi por gostar de ler que desenvolvi minha sensibilidade para o mundo, para a música… Foi por gostar de literatura que mudei para uma cidade maior, ela abriu meus caminhos e talvez por ela eu seja a cantora que sou hoje!

Sempre que alguém me diz que não gosta de ler tento descobrir do que esta pessoa gosta. É impossível alguém não gostar de ler! Só falta encontrar o livro certo!!!

*Lilian, cantora.