11 de Agosto de 2011

O gibi, a revista, o romance

Posted in Ler faz crescer às 12:49 por sidneif

Por ANNATERESA FABRIS*

Minha relação com a leitura começou antes de eu aprender a ler. Desde bem pequena, tinha curiosidade pelo conjunto de letras que via pelas ruas e solicitava que os adultos me dissessem o que aquilo significava. Quando aprendi a ler, demonstrei de imediato interesses variados, que abarcavam jornais, gibis, revistas e livros. Meus pais sempre incentivaram o hábito da leitura não só adquirindo livros para mim e minha irmã, mas também dando exemplos concretos de interesse pela página impressa.

Dos contos de fada passei para livros mais “trabalhosos”, que abarcavam títulos como Os cavaleiros da távola redonda, A ilha do tesouro, Robinson Crusoe, O pequeno lorde, A pequena Dorrit, dentre outros. Minha obra preferida na infância foi Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, que li inúmeras vezes, sem cansar, uma vez que me sentia atraída pela figura empreendedora de Jo.

Na adolescência, o interesse pela leitura se manteve, dando lugar a um momento curioso, em que M. Delly se misturava com Shakespeare, Kafka, Sartre, Simone de Beauvoir etc.

Não há um dia em que eu não dedique algumas horas à leitura, sem incluir nesse cômputo o tempo dedicado à atividade profissional. Toda noite, sigo uma espécie de ritual: começo com a leitura de um gibi, passo para uma revista e finalmente para um romance. No momento, estou lendo Sob o sol de Satã, de Georges Bernanos, autor que descobri aos 17 anos, por dever escolar, mas que despertou meu interesse pela angústia e pela interrogação sobre o sentido da vida de seu Journal d’un curé de campagne, embora eu não tenha uma propensão especial pelas questões religiosas. É um livro ao qual volto de vez em quando, aliás.

Que autores aprecio mais? São vários e vou me ater à citação de alguns nomes mais recentes: Javier Marías, Orhan Pamuk, Javier Cercas, Paul Auster, Luiz Ruffato, W.G. Sebald, Andrés Neuman, Siri Hustvedt, Amélie Nothomb, Andrei Makine, Antonio Tabucchi, dentre outros.

Acho que é isso que teria para dizer rapidamente sobre uma atividade que é parte integrante de meu cotidiano e da qual não poderia fazer a menos, sob pena de empobrecer minha relação com a vida e com o mundo.

*Annateresa Fabris, professora da Universidade de São Paulo (USP) e crítica de arte.

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