24 de Junho de 2010

Eterno enquanto dure

Posted in Ler faz crescer às 10:09 por sidneif

Por LUCIANA SADDI*

Eu apanhava de uma cartilha banal, boa parte da classe já a dominava. Não me esqueço do momento em que as letras se uniram pela primeira vez e formaram a palavra: uva. Na hora da saída contei para minha irmã gêmea, que finalmente havia conseguido ler, ela, sempre na minha frente, já sabia: Pedro viu a uva e um pouco mais. Até me ensinou a ler a palavra Pedro, difícil, mas depois que vi a uva, superei os obstáculos. Estávamos no primeiro ano e agora líamos orgulhosas as placas de rua, antes um monte de grupos de letras das quais eu podia reconhecer as vogais e o g e o h, apenas.

No final desse ano fizemos um desafio: ler o primeiro livro de nossas vidas. Será que daríamos conta? Escolhemos Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, grosso que dava medo, se falhássemos não seríamos mais as meninas que se gabavam de apreciar a leitura.

Minha irmã chamou para si a responsabilidade, ao terminar garantiu maravilhas e me disse para não temer o tamanho. Não deixei que me contasse a história, mas, sabia que tinha um peixe e uma menina que queria casar com ele, pensei que não daria conta de uma menina apaixonada por um príncipe peixe. Precisei de coragem. Amei a viagem, morri de inveja da Narizinho que foi pra outro reino, queria me casar com o peixe, com o Pedrinho, com a tia Nastácia e com a Dona Benta. Entrei no livro. Fiquei muito triste quando acabou. Peguei outro e mais outro, corri atrás da magia de acreditar e de viver histórias. Até hoje entro nelas, acredito piamente em vampiros, vacas voadoras, heroínas, finais felizes e infelizes – que cada livro seja eterno enquanto dure.

*Luciana Saddi, psicanalista e escritora. Acaba de lançar o romance Perpétuo Socorro ( Ed. Jaboticaba). No texto abaixo o release do livro.

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Perpétuo Socorro

Posted in Brasil às 10:07 por sidneif

No livro Perpétuo Socorro, Luciana Saddi expõe a alma humana em situação de crise amorosa. A autora conhece seus desejos e sobressaltos, já que respondeu aos anseios de muita gente em sua coluna Fale com ela, da Revista da Folha e em seu trabalho como psicanalista.

O romance entrecruza histórias da experiência amorosa e sexual de cinco personagens principais (Fernanda, Carlos, Mariana, Décio e Cecília), tendo a de Fernanda como eixo central. As personagens vivem simultaneamente um momento de crise em seus relacionamentos afetivos, motivada ora pela solidão, ora pela insatisfação com seus companheiros. A autora cria e entrelaça um pequeno mundo de personagens que constroem teias feitas de sofrimento, humor, abandono e esperança: mulheres à beira de um ataque de nervos e homens confusos buscam o amor.

Não existe mulher que não se identifique com um trecho como: “Visitas à cartomante, ao pai de santo e ao astrólogo são sempre precedidas de um frio na barriga… Cecilia tinha medo de saber… teria uma nova chance de amor na vida?”

E os homens, sempre em dúvida de suas qualidades e potências, tentando se encaixar no papel de homem contemporâneo que sabe cozinhar e ser sensível.

Nesta realidade há: medo da solidão, procura desesperada por um encontro, encontros e desencontros. Por meio do sexo, dos retornos, das surpresas, histórias soltas que parecem ter finais infelizes são habilmente entrelaçadas formando um romance moderno e surpreendente.

Como diz a psicanalista e escritora Anna Veronica Mautner, na quarta capa: “Assim é esse romance feito de muitos contos. Cada conto deste livro de Luciana Saddi é um pequeno diamante tratado com extrema arte e critério.”

14 de Junho de 2010

vigilante poeta

Posted in Educação às 11:24 por sidneif

Os livros não faziam parte do  seu mundo.  A escola era um fardo. Estudar   nunca se lhe afigurou um mister.

O filho de pescador cresceu, viu o lado feio da vida.  Errou o que podia errar.

Sucessivos acidentes aconteceram, marcaram o  corpo e a alma.

Mas um dia (sempre há um dia de oportunidade) alguém (sempre há alguém quando abrimos os olhos) acenou-lhe com um livro.

O livro o resgatou. A poesia o libertou.

Voltou a estudar, encetou a escrever poemas. O vigilante virou colega de Alcides Buss, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa…

Agora, prepara-se para o vestibular – sonha fazer o curso de Letras – , corre atrás de patrocínio para lançar seu livro.

Não posso prever o futuro do poeta. O cidadão Luciano Xavier, todavia, já é um vitorioso.