17 de Dezembro de 2009

Liberdade punida e impunidade liberta

Posted in Brasil às 15:13 por sidneif

Escândalos e mais escândalos. O erário dilapidado sem o menor pudor. Mais uma vez, o ano assim termina. E  sem punição – outra vez.

Pelos menos nosso consolo é que as falcatruas estão ao alcance de nossos olhos e ouvidos. É o fruto da democracia. A liberdade de imprensa abre as cortinas do poder público, desnuda líderes e seus asseclas.

A impunidade persiste, mas a nossa democracia é nova. Vamos aprender a exigir decoro dos que se elegem nos jurando fidelidade. Esse é o pensamento. A esperança.

Só falta combinar com o Supremo Tribunal Federal. Pois a instituição máxima da justiça brasileira manteve a decisão de proibir o jornal O Estado de São Paulo de publicar qualquer informação pertinente a Operação Boi Barrica da Polícia Federal – na qual se investiga o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney.

O mesmo STF que derrubou, neste ano,  a Lei de Imprensa, entulho remanescente da ditadura militar, resolveu dar as costas a um dos pilares da democracia.

A melhor imprensa  é a livre. Seus eventuais erros só serão erros quando de fato existirem. Não se pune preventivamente.  A informação deve chegar ao cidadão. As imprudências de quem  a veicula questionadas na justiça, sob a luz da liberdade de expressão.

Liberdade a quem nos abre os olhos, mesmo quando erra. Punição sim a quem desonra nosso voto. É isso, caros doutos em Direito.

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14 de Dezembro de 2009

Leitura em casa

Posted in Educação às 09:07 por sidneif

Aversão à leitura. Fato presente em abundância nos lares, nas escolas, nas universidades brasileiras. Em todas as classes sociais.

O abismo entre o brasileiro e a arte de ler é resultado da educação de má qualidade que as escolas oferecem – crianças crescem sem saber ler corretamente ou presas nas teias da cultura da decoreba -, falta de bibliotecas – as poucas que existem não são valorizadas – e ausência de leitura no ambiente familiar.

O dois primeiros motivos expostos são bastante conhecidos nossos. A solução  conhecemos bem. Podemos e devemos a começar a mudar nos aproximando de fato das escolas, das bilbiotecas, também não seria nada ruim , nada mesmo, sermos mais responsáveis nas  próximas eleições. O terceiro motivo se afigura o menos levado em conta. Ou quando  o é procede-se de forma errônea.

Ter uma acervo em casa ou os pais serem leitores não são suficientes para despertar o interesse da criança. Ela precisa fazer parte do ambiente de leitura, não apenas espectadora. Um bom parâmetro para entender isso é a televisão.

A televisão está presente em todos os lares. Em muitos lares, apreciá-la é o único momento para o  qual a família está reunida. Grudados na tela, os pais  interagem com a programação – externam indignação, o desapontamento, reagem a uma cena de filme ou de novela, emoções afloram. Os filhos os observam, querem fazer parte daquele universo que hipnotiza os pais.

E a televisão facilita as coisas. A caixinha ( cada vez mais fina) de som e imagem fala direto com a garotada, sem intermediários. Os resultados são   a galeria de personagens povoando a imaginação  e as brincadeiras infantis, um   público da telinha que se forma cada vez mais cedo.

Mais cedo também é o ideal para se formar leitores. Porém, o livro precisa de intermediário, alguém que passe a garotada toda a fantasia e a beleza da leitura. Uma criança de 2 anos consegue assistir à programação da televisão, dela captar diálogos e  emoções. As  páginas dos livros ainda são universos estranhos, precisam ser reveladas.

Um grande acervo instalado em casa pode chamar atenção dos pequeninos, mas só os conquistará se os pais intervirem. É preciso o espaço da leitura, a hora em que pais e filhos mergulhem no livro, soltem a imaginação e curiosidade. É contar história com livro na mão. Sempre a interagir com a criança.

Desse jeito, princípes e princesas não largarão mais a garotada. Nem as travessuras da Emília. Na maturidade, Machado de Assis será uma conquista, não um enfado.

Sim, é claro, este blogueiro sabe que maioria dos lares brasileiros não possui livros. Muito menos a cultura de ler. Então como esperar um ambiente de leitura em casa?

É um círculo vicioso que precisa ser quebrado. Escolas e bibliotecárias comunitárias podem e devem fazer um trabalho para aproximar pais e filhos dos livros.

Aí vem outro entrave:  nossas autoridades não se preocupam com educação, biblioteca e que tais. Mas quem os elegem somos nós.

É preciso  cobrá-los. Sempre. Ou será que nos contentamos em fazer piada com dinheiro na cueca?

7 de Dezembro de 2009

Ler é correr riscos

Posted in Ler faz crescer às 18:31 por sidneif

POR CARLA RODRIGUES*

Desde que comecei a estudar no Centro Educacional de Niterói, onde entrei para cursar a quinta série do primeiro grau, a biblioteca era o meu lugar favorito. Todos os dias, quando ia para a escola, levava comigo ou um livro para devolver ou um título para pegar. Os anos foram passando e o perfil das minhas leituras, mudando. Das aventuras de Narizinho escritas por Monteiro Lobato, e muito atraentes para uma menina de 10 anos, fui alçando vôos mais altos. A literatura brasileira era o meu universo de interesse, e por essa motivação cheguei a Fernando Sabino e o seu “Encontro marcado”. Nesse momento, a responsável pela biblioteca da escola me disse uma frase que nunca esqueci: “Esse livro é muito perigoso para sua idade. Só posso emprestar se seus pais autorizarem”.

Aos quinze anos eu descobria que ler era perigoso – e, se era perigoso, deveria ser muito melhor do que eu pensava até então.

Nunca mais parei de ler. Sabino foi quem primeiro me apresentou aos dramas da vida adulta, mas cresci cercada de livros e autores que se multiplicavam. A ficção foi para mim não o devaneio, mas ao contrário, o porto seguro para refletir sobre a instabilidade, o lugar ideal para pensar sobre a nossa ausência de lugar no mundo, a invenção como o único jeito de pensar a “realidade”.

Se ler é muito perigoso, então ler é como viver: correndo riscos.

*Carla Rodrigues, jornalista, responsável pelo sítio Contemporânea.

2 de Dezembro de 2009

Os livros e eu

Posted in Ler faz crescer às 09:31 por sidneif

POR ANA BEATRIZ*

Tive a grande oportunidade de vir de uma família em que a leitura sempre foi parte do dia a dia. Meu pai, psiquiatra, e minha mãe, dentista, têm uma biblioteca pessoal em casa. É uma mistura de livros de medicina, odontologia e literatura brasileira.

Quando era pequena, fui fuçar nesse biblioteca e o primeiro livro que me chamou a atenção foi Capitães de Areia, de Jorge Amado. Nessa época eu nem sabia ler, mas a capa com um desenho me atraiu.

Fui ler esse livro apenas com 16 anos de idade, por fazer parte das obrigações escolares, e gostei muito. Fala dos problemas sociais, mas gostei de algumas aventuras que os meninos de rua passavam.

Na infância e na adolescência nunca fui fã de leitura, era agitada, não conseguia ficar dois minutos parada e era apaixonada por todos os tipos de esportes.

Mas por causa do Colégio Rio Branco, acabava lendo dois livros por ano, e mais uns cinco livros quando fui prestar o vestibular para a faculdade de administração. Lembro que gostei de poucos, pois a leitura era difícil, com termos do século XVIII. O único que me lembro de ter gostado foi a trágica história de amor de Dom Casmurro, do Machado de Assis.

Comecei a tomar gosto pela leitura após terminar o colégio, pois aí pude escolher os livros que queria e sem prazo para terminar de ler. Li alguns livros da Agatha Cristie, pois a minha irmã tem a coleção toda e sempre foi fã.

O primeiro que escolhi foi o Código da Vinci, que eu amei, não conseguia parar de ler. Li a Arte da Guerra, de Sun Tzeu, e sei que preciso ler esse livro de novo, pois entendi 30% do conteúdo. Depois li O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, do qual também gostei muito, me fez pensar sobre o quanto a minha família e os amigos são importantes.

Chorei muito com Marley & Eu, de John Grogan, pois amo cachorros. E fiquei muito feliz por poder enxergar ao ler Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Uma biografia que adorei foi a do Bernardinho, ele é muito campeão. Dei risadas com os comentários dele ao falar da diferença de trabalhar nas seleções femininas e masculinas de vôlei.

Gosto de livros de mistério, como o Código da Vinci, mas estou aprendendo muito com o livro atual, A Cabana, de William P. Young. Ainda estou na metade, mas fala de sentimentos muito doloridos, perdas familiáres de formas trágicas e de Deus.

Também leio livros técnicos de automobilismo, que me ajudam muito no conhecimento dos carros, e até experiências de grandes pilotos no trabalho com seus times, que me ajudam a evoluir mais rapidamente.

Como viajo muito e moro sozinha nos Estados Unidos, comecei apreciar ainda mais a leitura, pois nesses momentos, seja sozinha em casa, em salas de embarque ou dentro de aviões, posso focar no que estou lendo e entrar no mundo imaginário.

A leitura é algo que me faz sair do mundo real e faz o tempo passar, mas também me faz aprender, seja pelo conteúdo do livro, pela mensagem, pela língua ou pela gramática, tanto em português como em inglês.

Por isso tudo é que eu gosto de ler. E recomendo.

*Ana Beatriz, piloto brasileira de automobilismo, única mulher no mundo a vencer na Fórmula Renault e na Firestone Indy Lights. Ana disputará a Formula Indy em 2010.