7 de Setembro de 2009

A independência do Brasil

Posted in Educação às 13:03 por sidneif

A revista Veja traz valiosa reportagem, assinada pela jornalista Mônica Weinberg, sobre a adoção de horário integral em escolas sitiadas nas favelas do Rio de janeiro. O projeto Escolas do Amanhã finca expressivamente a bandeira da educação num cenário dominado pelo tráfico de drogas – o crime arregimenta e “educa” os menores.

Segundo a reportagem, o grande mérito da iniciativa está na enfase dada à qualidade do ensino. Não poderia ser diferente. Horário integral só traz resultados se o ensino for com “e” maísculo. Sem isso, não adianta falar aos quatros cantos que a a garotada está segura entre as paredes da escola porquanto acabou a ociosidade. Criança que não aprende, não avança nos estudos é refratária ao ambiente escolar, continua alvo fácil da marginalidade.

O turno escolar de quatro horas, que é o mais adotado no Brasil, mostra-se inadequado para atender à necessidade dos alunos ( coloque aí, nesse libelo, as recorrentes greves que originam reposição de aulas no melhor estilo “me engana que eu gosto”). Não é difícil de constatá-lo. Basta abrir os ohos e ver a quantidade de crianças incapazes de ler um texto, escrever corretamente uma oração e a sua total abstrusão diante de uma simples conta aritmética. É claro que o exímio tempo de aula não é o único motivo para resultados tão pífios na educação, mas um turno maior permitiria ao professor um acompanhamento mais amplo das dificuldades dos alunos e o desenvolvimento de um trabalho pedagógico mais consistente.

Horário integral nas escolas públicas não é nenhuma novidade no país. Projetos diversos desse tipo foram encetados por políticos. A maioria das inciativas fracassaram. A explicação mais comum para tal insucesso é o alto custo das escolas. Pura heresia quando se olha a farra feita com o erário. Farra perpetrada por pessoas que deveriam zelar pelo bom uso dos recursos proveniente do nosso suado labor.

O maior problema do Brasil não é a escassez de recursos para áreas tão vitais como a educação. O mal da Terra de Vera Cruz é a sua ojeriza às palavras gestão e responsabilidade. Gasta-se mal. O viés demagógico e eleitoreiro toma conta das despesas. E não esqueçamos dos interesses pessoais e infindáveis ilícitos.

Que o projeto Escolas da manhã seja a exceção, que não se definhe face às cabeças inescrupulosas de nossos políticos.

Educação é investimento certeiro, é o caminho verdadeiramente concreto para o Brasil país do futuro que tanto se vaticina, a nossa legítima independência ( nada de pré-sal, caro presidente).

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