29 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 08:17 por sidneif

Um país se faz com homens e livros. Mais uma vez Monteiro Lobato abre a picada para a criação do hábito da leitura. Ele que conhecia a fundo tudo que se escrevia ou se escreveu enquanto viveu, sabia ser muito, mas muito importante viver disso, ou seja, não importa o que você faça os livros sempre farão parte de sua vida.

Uma cidade poderá ser existir ou ter existido em qualquer parte que nunca se saberá, de pronto, quem a construiu, quem foi seu arquiteto, o engenheiro ou o mestre-de-obras, mas sempre se saberá quais os escritores, poetas e artistas que viveram nela. As paredes poderão não mais existir, ou haver ruínas, que ecoarão os versos e as máximas deixadas por esses homens e mulheres.

As obras de muitos autores se perderam, mas suas palavras foram reproduzidas nas obras de outros escritores que puderam lê-los em seu tempo e hoje sabemos o que foi dito ou o que disse algum deles porque sua frase vingou sobre o tempo.

Muitos repetem ditados e máximas que ouviram sem saber de quem são. E por vezes de uma obra inteira somente alguns deles ficaram. Ao repetir qualquer uma delas, o ouvinte abre um sulco nos ouvidos de outras pessoas que repetirão infinitamente o que lhes foi dito.

Mesmo lendo tão pouco, ou muito menos do que deveriam, as pessoas se referem a personagens como se tivessem vivido e livros como compêndios de História. Enquanto Tróia não foi encontrada, vivia apenas nos versos de Homero. Até que se escavasse a sétima Tróia os homens ainda duvidavam de seus cantos.

E o que Roma foi ao longo de mais de 2.000 anos de História ainda reverbera hoje como se vivessem entre as pedras do Fórum Romano. Mas o que ainda vive são os relatos de seus escritores, dos célebres oradores que acompanhavam os feitos de seus cidadãos.

Cristo sobreviveu na palavra de seus discípulos e no que se escreveu nos Evangelhos. Nãonenhum historiador que corrobore o que está escrito ali de modocientífico”. Criou-se a religião de maior dominação no mundo sem uma prova concreta senão a Palavra do filho de Deus escrita no Novo Testamento.

Um livro tem o condão de mudar destinos, ou de realinhá-los. Para o bem ou para o mal. Dependendo de quando lemos certos relatos, encontramos ou desviamos de nosso caminho, que é outro caminho também.

Se criarmos esse hábito da leitura, muitas visões se abrirão para nossa escolha.

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.


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25 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 07:52 por sidneif

Para ser grande,
Sê inteiro; nada teu
Exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa;
Põe quanto és,
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago
A lua toda brilha,
Porque alta vive.
Fernando Pessoa (Ricardo Reis)


passagens que lemos que nunca se apagam de nossa memória. Quando menos esperamos, elas voltam, afloram em nossa mente como se tivessem acabado de entrar, como se continuássemos a ouvi-las.

Para ser grande, sê inteiro”. Fernando Pessoa, na pele de seu heterônimo Ricardo Reis, escreveu isso em uma ode, que minha mãe leu para mim quando eu deveria ter uns treze anos. “Sê inteiro”. O que queria dizer isso? Se quero ser grande, não posso perder nenhuma parte de mim para crescer até o máximo possível.

Nada teu exagera ou exclui”. Sendo inteiro, não posso aumentar nada em mim. Há uma lição de humildade na grandeza. Nem a falsa humildade é possível. Nada meu extrapolo ou elimino.

“Sê todo em cada coisa”. Ser todo. Se sou inteira, sou tudo que sou. Cada parte de mim espera que eu esteja inteira, incorrupta, indivisível.

“Põe quanto és no mínimo que fazes”. O máximo de amor em suas mínimas possibilidades. Se sou toda e estou inteira caibo minimamente em tudo que faço.

vem o Grand Finale: “Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”. Viver alto, sonhar alto, transcender. Quão maior a altitude, melhor a visão do todo, do inteiro que somos, das coisas que fazemos, ummapa aberto no coração da floresta”.

Rio, 30/06/2005

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.


23 de Setembro de 2009

Feijoada

Posted in Ler faz crescer às 08:37 por sidneif

Por ROSEANA MURRAY*

Ontem, dia 4 de setembro, vivi uma das experiências mais impactantes da minha vida: recebemos em nossa casa um ônibus da prefeitura de Duque de Caxias com 38 crianças e alguns adultos para uma feijoada. Eram alunos da Escola Municipal Pedro Paulo da Silva, de Santa Cruz da Serra. Nós nos conhecemos no Salão do Livro e na ocasião eu os convidei. Sob a batuta da diretora Lourdes, a orquestra para o acontecimento começou a afinar seus instrumentos. Foram muitas cartas e telefonemas até que o ônibus parou na frente da minha casa. Na hora em que o ônibus parou e as crianças começaram a gritar de felicidade, o sol apareceu. Antes o tempo estava feio e encoberto, prometendo chuva.Eu, como sempre ,pedindo um milagre. A varanda já estava arrumada, toalha de renda na mesa, flores apanhadas no jardim e o fogão de lenha estalando de felicidade . O feijão já estava no fogo desde cedo. Eles se perderam dentro de Saquarema e ficaram dando voltas e mais voltas, não encontravam o mar!!! Chegaram às 11:15hs. Correram todos para o jardim e como são de uma zona rural, identificaram todas as árvores, até a árvore de romãs. Depois nos sentamos na varanda e lemos juntos vários poemas. Eles me trouxeram 3 presentes muito especiais: uma camiseta assinada por todos, um quadro imenso com a assinatura e a foto de todos e um caderno com poemas e agradecimentos. Fizemos várias brincadeiras com meus poemas. Li um livro que fiz com a ed. DCL, “O que cabe no bolso?” e depois eu perguntei: se vocês pudessem guardar um desejo no bolso, qual seria? Todos queriam guardar amor ou poderes para salvar o mundo.

As professoras (Andréia Berg, Ivone, Regiane e Nilce, supervisora da escola) eram de uma delicadeza, exerciam seu carinho nos dando uma grande lição de como se pode ao mesmo tempo dar amor e limite sem nunca elevar a voz.

Então foi servida a feijoada. Fizeram uma fila em frente ao fogão de lenha, cada um com seu pratinho e iam se sentando no chão… Comeram sem deixar cair um grão de arroz. Nunca vi crianças mais doces e educadas. Elogiaram e aplaudiram a Vanda, autora do almoço.

Depois do almoço fomos ao mar. O mar estava muito forte, era impossível entrar. Grande parte das crianças nunca havia visto o mar! Foi um espetáculo impressionante. Pareciam aqueles passarinhos na beira do mar que correm quando a onda vem. As ondas eram imensas e vinham buscá-los na areia. Eles corriam para lá e para cá gritando de alegria. Catavam conchas e tatuís. Na volta Samuel , nosso caseiro, lavou os pés de cada um no jardim e chegou a hora da despedida. Choramos todos de emoção. Que grande presente poder dar assim um dia lindo para essas crianças.

*Roseana Murray, escritora. A crônica Feijoada foi sugerida a esta seção pela própria autora e originalmente publicada no seu blog.

22 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 08:33 por sidneif

Convivemos com nossas próprias palavras. Habituamo-nos ao que dizemos a nós mesmos como uma fala contínua, ininterrupta. Ouvimos o silêncio das pausas e retomamos a palavra para repeti-la suavemente. Convivemos melhor com o que conhecemos. Assim, repita as palavras mais caras para que permaneçam como emblema de seu próprio conhecimento.

Rio, 29/06/2005

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.

21 de Setembro de 2009

O analista e o poeta

Posted in Ler faz crescer às 12:37 por sidneif

Por VANISA MORET SANTOS*

Minha história com a leitura é marcada por um susto, pois passava por uns ‘maus’ momentos quando conheci a poesia de Fernando Pessoa. Na época, minha angústia foi quintuplicada. O inusitado é que, ainda assim, fiquei um tanto obcecada pelo poeta português. Depois, abandonei-o como quem larga um vício. Hoje restou a lembrança disso que me tocou na alma a ponto de me deixar cética sobre a humanidade. Bom, eu tinha apenas 19 anos e um monte de dor pra expurgar. A poesia de Pessoa me ajudou muito nisso. Depois fui fazer meu percurso de análise. Isso é um fato, ninguém passa inadvertido de seu desejo após uma análise bem conduzida. Um percurso de análise é como uma nova escrita que a alma faz sobre um corpo de palavras que pareciam órfãs – como se fossem alheias ao sujeito. É preciso adotar todas as palavras que nos fizeram marcas para, finalmente, aprendermos a reescrever as que nos atormentaram por toda uma vida. Uma escrita de análise, no entanto, só é possível se o leitor (analista) for um apaixonado pela leitura sob todos os pontos de vista. Não por acaso o bom e velho Freud – com sua humildade de pesquisador – se rendia ao desconhecido e, para tentar dar conta desse vazio em seu saber, sempre recorria aos poetas. Ele era um leitor apaixonado de Goethe dentre outros. Lacan, um releitor de Freud, não fugiu à regra. Assim como o grande mestre, Lacan não cessava de recorrer à literatura para tentar dar conta de suas questões sobre essa estranha “língua” que é o inconsciente. Sua admiração por Joyce é conhecida, e muitos de seus últimos trabalhos são tributários de sua leitura apaixonada do escritor irlandês que continuaria sendo lido e relido por mais de 300 anos…

*Vanisa Moret Santos, poetisa e psicanalista.

18 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 10:08 por sidneif

Talvez por isso lemos.

Em momentos de trevas, voltamos aos livros

para encontrar palavras para o que sabemos.

Alberto Manguel, Os livros e os dias


O livro deve estar ao alcance da mão, quando não está em nossa memória. O convívio com o livro é um hábito que se renova a cada página, como se ler fosse muito fácil e assim se torne à medida que lemos.


Ler aos poucos cria fôlego para se ler mais, até não saber quanto se consegue devorar com os olhos. Tudo é minuciosamente escrutinado, à procura de sinais, baixos-relevos, inscrições apenas palpáveis, adivinhadas entrelinhas.


Ler algo que nos soa correto descortina um novo horizonte. Olhamos detidamente para o que descobrimos. É inaugurado um novo princípio, passamos à próxima leitura mais sábios e mais ávidos.


Livros podem ser olhados ao acaso, como se folheássemos algo que não nos pertence, mas que subitamente pode passar a fazer parte de nós. E uma vez que desvendemos esse segredo, jamais o perdemos, porém, o compartilhamos com quem também o desvendou.


O hábito da leitura tem de ser instalado aos poucos. Nada aos saltos perdura. Para fazer sempre é preciso constância, passos lentos para ir mais longe. Ler apenas o que agrada, acostumar o olho à página, até que se aprenda a suportar qualquer texto e saber recusar algum ao vê-lo de relance.


Não devemos nos forçar à leitura. A leitura não prazerosa torna-se automática. Nada fica. Impossível reter qualquer palavra. Ler durante o tempo que se tolera, imerso no texto como um peixe, nadar até ficar exausto.


Tentar ler o que nunca se pensou gostar. Inaugurar novos caminhos. Cada leitura conduz a um destino não planejado. E ao alcançá-lo, acreditar que não havia melhor lugar para se estar.


O livro é feito não apenas para os olhos, mas para o tato. Tocá-lo faz parte da leitura. Saber que o que emana dele recende a jasmim ou sândalo.


Deixamo-nos seduzir pelos sentidos. Um livro é sempre um objeto para o toque. O olho percebe o que as mãos sabem. E ao saborear palavras, sente-se repleto.

Rio, 10/06/2005

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.


15 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 08:49 por sidneif

“É preciso dar tempo ao tempo”, diz minha mãe. Com ela aprendi tudo que sei de filosofia. Ela foi exemplo em tudo que fez, mesmo errando. Ela é parte inalienável de mim como pessoa, modelo e ser humano. Pode ter tido seus defeitos e idiossincrasias, mas quem não os tem? É um grande exemplo de auto-superação. Ela soube dosar o amor em partes iguais para aprender a estar bem com todos, o tempo todo.


Não sei quando a literatura não esteve presente em minha vida. Desde o início, tudo foi letra e palavra, língua e expressão verbal, conto e história, relato e memória. Bebíamos sempre na fonte da palavra escrita, da oralidade, do causo contado, da narrativa mesmo iconográfica, cinematográfica, visualcomo contar o que se viu? As pessoas não sabem contar o que viram, cria-se o automatismo da imagem, o vazio cerebral, a falta de vida interior que pode ser proporcionado pela contação, pela confidência, pelo ouvir atento.


Eu nunca estou porque sempre tenho muito que ler e pensar. Há pessoas que não conseguem ficar sozinhas sem ter com quem conversar. Sofrem de solidão porque não sabem se fazer companhia. Eu sou uma companhia divertidíssima para mim mesma. Morro de rir com coisas que lembro ou com o que leio.


Quando converso com alguém, conto minhas histórias e ouço as delas, mas isso vai moldando um todo, em que as histórias se correspondem ou se interpenetram. fui muito ao cinema e ao teatro sozinha. Hoje prefiro ter uma companhia para conversar depois, mas toda vez que fiz isso aproveitei muito do fato de estar . Em casa, adoro ficar comigo mesma, para não ter que fazer outra coisa senão focar no que tenho de ler ou escrever. Às vezes, passo dias sem sair.


muito a ser feito. Hilda Hilst trancou-se em sua chácara em Campinas ficou por quarenta anos, porque dizia ter muito a escrever e pouco tempo para fazê-lo. Suas aparições públicas eram sempre celebradas. Deixou-nos uma enorme herança literária, tão importante quanto de Cecília Meireles ou Clarice Lispector.


Descobri como editora que o desejo mais íntimo de qualquer pessoa é escrever. Mesmo que não tenha lido muito, o sonho mais acalentado é ter um dia um livro publicado. Mesmo que nunca o publique, fica imaginando-o, como se fosse real. Por isso tantos autores ao publicar seu primeiro livro sentem-se transtornados. Materializar um sonho tão íntimo é mais do que desnudar-se, é render-se em holocausto.

Rio, 27 de maio de 2005

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.



14 de Setembro de 2009

A palavra borboleta

Posted in Ler faz crescer às 12:37 por sidneif

Por LÍGIA FASCIONI*

Foram muitos os livros que marcaram a minha vida; aliás, o que marcou mesmo a minha vida foi ter a sorte de ter aprendido a ler! Lembro até hoje da conversa com uma vizinha, aos seis anos de idade, que me explicava que ler era muito fácil, exceto a palavra “borboleta” que era complicadíssima.

Logo nos primeiros anos de escola ganhei uma coleção de livros dos Irmãos Grimm, do Monteiro Lobato, além dos Contos de Andersen e as Fábulas de Esopo. Era apaixonada por aqueles volumes coloridos e queridos, chegava a ler escondida, com a lanterna embaixo do cobertor, pois meus pais não queriam que eu ficasse até tarde da noite acordada. Também tinha toda a coleção de manuais da editora Abril. O “Manual do Escoteiro Mirim” foi meu livro de cabeceira por anos…

A biblioteca onde fiz o primeiro grau, no SESI, em Campinas, São Paulo, era bonita, mas modesta. Devorei todos os livros infantis e depois todos os infanto-juvenis (lembro de “Uma rua como aquela”, de Lucília Junqueira de Almeida Prado e “A vaca voadora”, de Edy Lima, além, é claro, do clássico e inesquecível “O menino do dedo verde”, de Maurice Druon). Quando não tinha mais nada para a minha faixa etária, lembro bem do meu primeiro livro “adulto”. Foi “O assassinato de Roger Akcroyd”, da Agatha Christie, aos 12 anos. Eu fiquei simplesmente hipnotizada e agarrei tudo o que encontrei dela. Para mim, os melhores são “Cai o pano” e “Os cinco porquinhos”. Parti depois para best sellers bem simplinhos, todos do Sidney Sheldon, Irving Wallace, Irving Shaw, Arthur Hailey e Morris West. Veio então a fase do Lobsang Rampa e do Hermann Hesse (desse, lembro-me que fiquei especialmente impressionada com “Demien”; tudo o que um adolescente pensa está lá).

Depois vieram os clássicos “O vermelho e o Negro” de Stendhal; os vários geniais de Balzac; “Mulheres apaixonadas”, de D. H. Lawrence; “O muro”, de Sartre, “A convidada”, de Simone de Beauvoir, “Os irmãos Karamazóv”, de Dostoiévski e a coletânea “Em busca do tempo perdido”, de Proust. É claro que, como eu era adolescente, não entendia muito bem esses últimos, ia apenas devorando tudo com pressa e muito apetite, por isso tenho que reler a maioria.

Houve também a época que consumi tudo que achei sobre arqueologia; encantei-me com o discurso idealista de Eduardo Galeano nas “Veias abertas da América Latina” (hoje acho-o panfletário demais); fiquei fascinada com as especulações de “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Däniken; apaixonei-me pela série “O tempo e o vento” de Érico Veríssimo; virei fã do filho dele, o Luís Fernando; senti-me parte da história complicada de “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Márquez; viajei com a ficção científica de Isaac Asimov e as utopias de Aldoux Huxley (Admirável mundo novo) e George Orwell (1984) e tanto mais que seria impossível citar todos. Lembro de ter ficado especialmente encantada com o gênio de Oscar Wilde em “O retrato de Dorian Gray” e com o charme de Milan Kundera em todos os livros dele.

Isso tudo intercalado com histórias em quadrinhos, livros técnicos, manuais, bulas, rótulos de produtos diversos, jornais e revistas e tudo o mais que me caía nas mãos (devo ser a única pessoa que consegue ler até a revista “Caras”…heheheh). Até o Harry Potter foi saboreado com gosto (todos os livros da série). Confesso que, em se tratando de palavra impressa, não tenho preconceito. Minto, tenho sim. Um mega preconceito contra livros de auto-ajuda e esotéricos de maneira geral. Confesso que li “O alquimista” do Paulo Coelho, mas o português ruim me incomodou demais. São as únicas coisas que realmente não me chamam atenção numa livraria (quando morrer, quero ir assombrar os estoques da Amazon).

Hoje leio bastante sobre arte, design e filosofia (Alain de Botton é dos meus favoritos). Na literatura, gosto bastante do Marçal Aquino, da Fernanda Young, do Amós Oz, do Tony Belotto, da Patrícia Melo, do V. S. Naipul, do Irvin Yalom, do José Saramago, do Jostein Garrder, do Umberto Eco e de alguns outros autores de best sellers que não cito porque li um livro só, então não dá para formar opinião.

*Lígia Fascioni, engenheira eletricista, Mestre em Automação e Controle Industrial, Pós-graduada em Marketing e Doutora em Gestão Integrada do Design, autora do livro Quem sua empresa pensa que é?(Ciência Moderna), consultora empresarial na área de gestão da identidade corporativa.

11 de Setembro de 2009

Thereza Christina

Posted in Especial Theresa Christina às 09:03 por sidneif

Aos nove anos de idade, eu estudava no quarto ano primário do Chapeuzinho Vermelho, na Rua Prudente de Moraes, em Ipanema, uma casa toda branca, que, para mim, parecia enormeeu que tinha começado a estudar aos 5 anos, vinda de Montevidéu, onde morei com meu pai, minha mãe e meu irmão caçula.


Fiz uma rápida transição entre o espanhol, que aprendi numa escola inglesa no Uruguai e o português, ao entrar no Jardim da Infância de um colégio que marcaria minha vida até 1967. Havia uma grande ênfase no estudo através da leitura, em português e inglês, tendo sido alfabetizada nas duas línguas a partir dos sete anos.


Dois anos mais tarde, começaria a estudar também o francês, que falava desde dois anos de idade com minha babá suíça francesa (zelos de meu pai diplomata). Mas foram os textos que me passaram pelas mãos nessa idade que tiveram um valor inestimável.


Um dos momentos inesquecíveis foi ler “A arte de ser feliz”, de Cecília Meireles. Nesta crônica, Cecília relata as diversas paisagens que vira por sua janela: “Houve um tempo em que minha janela se abria sobre um jardim…” Ao descrever a imagem do pássaro sobre o globo de louça azul, eu podia vê-lo pousado no ar. Era a primeira vez que via a imagem do que era descrito por meio de palavras num texto.


Rio, 20 de maio de 2005

Thereza Christina Rocque da Motta, poetisa, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo, Areal, Sabbath, Alba, Chiaroscuro, Rios, Lilases e Marco Polo e a Princesa Azul. Traduziu poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, a sair), e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos e 154 Sonetos, Ibis Libris), Organiza a Ponte de Versos há dez anos. Fundou a editora Ibis Libris em agosto de 2000.


10 de Setembro de 2009

Pequeno e genial

Posted in Ler faz crescer às 10:54 por sidneif

Por RAUL CALDAS FILHO*

Uma das minhas experiências inesquecíveis de leitura, logo que aprendi a ler, entre os meus seis, sete anos, foi o conto “Um Apólogo”, de Machado de Assis, que constava do livro “Seleta em Prosa e Verso”, adotado no meu curso primário.

Até hoje releio com prazer esse pequeno e genial texto de um dos nossos melhores escritores.

*Raul Caldas Filho, jornalista e escritor.

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