31 de Julho de 2009

De volta ao paraíso

Posted in Ler faz crescer às 18:05 por sidneif

Por MARIANA IANELLI*

…Basta um livro, apenas um, para desencadear a interminável trama de encontros que ao longo do tempo vai desenhando a frondosa genealogia desta nossa outra família, que, se de nosso não tem o mesmo sobrenome, tem todos os nomes possíveis, todas as variantes de um mais profundo parentesco de espírito. Bem pode ser esta a nossa mítica árvore da imortalidade, bem guardada por uma espada de fogo. E basta um fruto, apenas um, para cairmos na perdição do encantamento. Não por acaso Borges imaginava que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca, nem por acaso Saramago reúne seus autores diletos no que ele chama de sua “família de espírito”. É assim que nos rebatizamos, que elegemos parentes de coração, com quem nos reunimos por vontade própria, num silencioso (e nem sempre pacífico) convívio. E cada autor que amamos chama para a roda os seus amigos. Rilke chama Marina Tsvetáieva, Marina chama Anna Akhmátova, Anna nos leva a Ossip Mandelstam. E ainda há vínculos menos evidentes, subjacentes aos enredos da palavra, que, se nos vale descobrir, mais ainda vale imaginar, por exemplo, a gênese do Ensaio sobre a cegueira de Saramago latente no Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma, de Antonio Vieira. Um livro dentro de outro, um mundo se desdobrando em outro. Entramos na mágica Jesusalém de Mia Couto e ali encontramos Hilda Hilst, Adélia Prado, Alejandra Pizarnik, Sophia de Mello Andresen. Entramos no lirismo de Hilda e somos transportados à poesia de Catulo. Assim vamos e voltamos no tempo, varamos os séculos, ignoramos as empedernidas fronteiras do espaço e traçamos nós mesmos a extensão da nossa terra natal, conforme o nosso mapa de afinidades e a bússola das nossas intuições. E tão generosa pode ser a paixão da leitura que por ela também experimentamos a delícia dos amores casuais. Um livro que nos chega sem saber de onde, quem sabe do topo de uma pilha sem sentido, num balcão da livraria, como me aconteceu uma vez encontrar, em edição portuguesa, Uma mulher e Um lugar ao sol, de Annie Ernaux, cuja leitura, antes de me dirigir aonde quer que fosse, plantou-me na própria vida, num momento de luto. E, no meio dessa cartografia fantástica, vamos também de um livro a outras artes, como me aconteceu com a memorável descoberta de O direito de sonhar, de Bachelard, que me fez viajar pelas oníricas telas de Marc Chagall inspiradas na Bíblia. Eis que, lançando pontes, campeando distâncias, cruzando caminhos, aí chegamos ao livro dos livros, ao jardim primeiro, ao fruto dos frutos…

*Mariana Ianelli, Jornalista, escritora, colabora como resenhista para os jornais O Globo, Prosa&Verso, Rascunho.

Mariana Ianelli

Anúncios

28 de Julho de 2009

Verdadeira maratona

Posted in Ler faz crescer às 18:02 por sidneif

Por MOACYR SCLIAR*

Como todo escritor, sou antes de tudo um leitor. Fui introduzido aos livros por minha mãe, que era professora, e desde a infância fiz da leitura uma parte importante de minha vida. Desde pequeno estava devorando Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Mario Quintana… Depois, adolescente, comecei a ler os livros que eram importantes para minha geração. Entre eles estava “Os Thibault” (Editora Globo), do francês Roger Martin du Gard, um romance político ambientado no começo do século vinte e que vinha em cinco grossos volumes. Numa sexta-feira levei-os para casa e li-os sem parar. De vez em quando adormecia de cansaço, de vez em quando comia alguma coisa, mas basicamente eu só queria ler. Terminei o último volume na segunda de madrugada. Foi uma verdadeira maratona, que até hoje lembro com saudade.

*Moacyr Scliar, escritor.

22 de Julho de 2009

Os intocáveis

Posted in Brasil às 18:23 por sidneif

Todos são iguais perante a lei.

Assim começa o artigo 5º. da Constituição brasileira. Todavia, pessoas que acumulam bens e “boas relações” tornam-se intocáveis, passam a pertencer a outra sociedade, seus direitos são maiores que os seus deveres. Mas todos não são iguais perante a lei? “Mas alguns são mais iguais que os outros” , para citar o mandamento instituído pelos porcos no célebre romance de George Orwell (Revolução dos Bichos).

Exemplos saltam aos olhos nesse país tropical – políticos diversos se sentem dono do poder público, pessoas que cometem ilicitudes e continuam gozando de liberdade, jamais sofrem punição (brechas na lei e um arguto advogado resolvem tudo) e, enquanto o cidadão comum paga honradamente seus impostos, outros mais afortunados nadam em benefícios que suavizam suas dívidas para com o Estado.

Então, qual deve ser a reação do brasileiro “comum”? Os adeptos da cultura do “esperto” certamente bradam: é assim mesmo, quem não usa ou não pode desfrutar de influência está perdido, quem reluta em usar tal vantagem e age corretamente é um perfeito otário. Quem acredita em lisura sabe que esse modelo insano acentua sobejamente a desigualdade e o atraso do país. Lutar por honestidade é querer um futuro para as novas gerações baseado no respeito mútuo. Será que é tão difícil nesse país entender a civilidade e a galhardia da palavra respeito?

Fica difícil ignorá-la e se sente sua ausência, quando se toma conhecimento de certas posições do judiciário. Como o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, condenado a pagar R$ 30 mil à família Maiorana, proprietária das Organizações Rônulo Maiorama (ORM), empresa de comunicação filiada à Rede Globo. Além disso, pasmem, foi proibido de citar a família em seus próximos artigos. O motivo para tal: um artigo no qual o jornalista fala da atividade de contrabando, exercido, nos anos de 1950, pelo fundador da empresa. E a apresentadora Ana Maria Braga, condenada ( 1ª instância) a indenizar uma juíza por ter criticado esta, pela decisão de deixar livre uma homem que havia ameaçado uma mulher( solto, cumpriu a ameaça, matou-a e cometeu suicídio).

Respeito surge com democracia, liberdade de expressão. Com respeito, descobrimos a igualdade. Todos temos responsabilidade na busca por respeito e igualdade. Todos.

E a justiça é o grande fiador desses preceitos. Jamais pode ser o casulo dos que se julgam intocáveis.

21 de Julho de 2009

A Barca dos Livros

Posted in Brasil às 19:28 por sidneif

De uma entidade intitulada Sociedade Amantes da leitura esperar total veneração aos livros é o mínimo aceitável. Pois os integrantes desta associação preferiram o superlativo – basta conhecer a Biblioteca Barca dos Livros.

Situada à beira da paradisíaca Lagoa da Conceição, na cidade de Florianópolis, a Biblioteca conta com um acervo com mais de 8000 livros e oferece à comunidade atendimento diário e gratuito. Além de contar com uma equipe de trabalho que transborda dedicação e galhardia.

Uma mensal programação cultural realça a magnitude do projeto dirigido pela Sociedade Amantes da leitura e beneficiado pela Lei Rouanet. Há eventos como a Escola vai à Barca, Histórias na Barca dos Livros (passeio de barco na Lagoa da Conceição, com muita leitura, narração de histórias e música), Domingo de Prosa e Verso, Sarau de História.

No momento em que catarinenses presenciam o abandono da Biblioteca Pública do Estado, a Barca dos Livros é uma sopro de inteligência e respeito à cultura.

Aprendam autoridades! Aprendamos, cidadãos!

16 de Julho de 2009

Leitura no Lounge

Posted in Notas às 19:59 por sidneif

A atriz Ana Luísa Lacombe fará leitura dramática do  conto “Taibele e seu Demônio”, tema de seu belo texto para a seção “Ler faz crescer”, no Centro da Cultura Judaica.

A leitura, programada para o dia 31 de julho, às 16 horas, faz parte do projeto Leitura no Lounge, que se realiza na última sexta-feira de cada mês.

Quem estiver na capital paulista por esses dias tem uma ótima opção de cultura.

Mais informaçoes no sítio da CCJ.

Como um demônio me encantou para sempre…

Posted in Ler faz crescer às 19:58 por sidneif

Por ANA LUÍSA LACOMBE*

Há quase cinco anos trabalho no Centro da Cultura Judaica em São Paulo coordenando algumas programações: Sipurim – hora da História, que são apresentações de narração de histórias para crianças; alguns Cafés Literários e narração de histórias para adultos. Neste semestre, acabamos de inaugurar uma nova programação chamada “Leitura no Lounge”, onde faço leituras dramáticas de grandes autores da comunidade judaica.

Fiz esta introdução para vocês entenderem como tudo aconteceu. Não sou judia, apesar de ter tataravôs judeus pelos dois lados da família. Quando fui chamada para este trabalho conhecia muito pouco desta cultura e tive que me inteirar dos autores, dos costumes, das festas, enfim, tive que mergulhar em cinco mil anos de história num tempo recorde para não fazer feio nas minhas propostas de programação.

Quando saí da minha primeira reunião fui direto para um sebo que eu costumo freqüentar para começar minha corrida contra o tempo.

“Dona Miriam, o que a senhora tem aí que tem a ver com a cultura judaica?”

“Para começar eu mesma, sou judia…”

Demos uma boa risada e, como eu não podia levá-la para minha casa, ela me levou para uma estante mais ao fundo de onde separou uma pequena pilha de livros. Dentre eles “Breve Sexta-feira” de Isaac Bashevis Singer. Eu nunca tinha lido nada do Singer, mas não hesitei em comprá-lo, afinal, não se pode desprezar um Prêmio Nobel de Literatura.

Naquela noite, deitada em minha cama, comecei meu mergulho no mundo judaico com este livro. O primeiro conto chama-se “Taibele e seu Demônio”. Quando terminei esta história estava absolutamente emocionada. Pensei “Começamos muito bem…”

Eu não sabia ainda nada desta cultura, não entendia o que significavam algumas coisas citadas no conto, mas isso não interferiu em nada no meu entendimento e envolvimento com a obra.

Em minha primeira apresentação no Centro da Cultura Judaica fiz uma leitura dramática do conto de Taibele. Essa inusitada história de amor entre uma mulher abandonada e um homem que se fazia passar pelo demônio Hurmizah tirou meu fôlego, misturando diversas emoções: tristeza, terror, erotismo, paixão, humor, aflição e dor. Como em apenas algumas páginas ele conseguia fazer este percurso incrível?

Fiquei apaixonada por este “demônio de autor” e li várias outras obras dele. É incrível como Singer consegue ser tão judaico e tão universal!

Acabei aprendendo que ele vem de uma linhagem de autores iídiches que são especialistas em retratar os dramas humanos sempre com alguma dose de humor e sarcasmo. Agradeço a oportunidade de ter conhecido este escritor e os outros tantos precursores dele como Scholem Aleichem, Isaac Leon Peretz, David Pinsky…

*Ana Luísa Lacombe, atriz premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria teatro infantil, contadora de histórias, idealizadora do grupo Faz e Conta

LDO para 2010

Posted in Brasil às 19:12 por sidneif

Ontem, o Congresso aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2010.

A boa notícia é que o artigo 110 não sofreu alterações como queria o governo.

O governo também não conseguiu aprovar na LDO a proposta que lhe permitia usar recursos independentemente da aprovação da Lei de Orçamento Anual (LOA). Certamente não foi pura bondade e total discernimento que levaram a oposição barrar essa loucura. Ano eleitoral, governo abre a carteira para impulsionar campanhas, como isso depende da  LOA, atrasos na aprovação desta serão iminentes.

De qualquer forma na briga entre governo e oposição, o primeiro não saiu de mãos abanando. Da meta do superávit primário foi retirado os investimentos da Petrobras e parte dos gastos do PAC.

15 de Julho de 2009

Leituras

Posted in Ler faz crescer às 17:47 por sidneif

Por CRISTOVÃO TEZZA*

Às vezes, uma leitura se preserva durante décadas não exatamente pelo que estava escrito, mas pelas circunstâncias e pelo espírito do tempo, que se marcam como pontos de referência de uma vida inteira. Lembro que li Viagem ao centro da terra, de Júlio Verne, num dia 26 de dezembro, atravessando a madrugada dos meus 13 ou 14 anos, até que se virasse a última página. Como queria o autor, vivi a sensação de conhecer a Islândia e sua capital, Rejkjavik, e o herói do livro, Arn Saknussen, um nome avulso que vem me acompanhando, com seu exotismo sonoro, como uma palavra mágica – Saknussen! – por mais de 40 anos. Já o livro O signo dos quatro, de Conan Doyle, com uma aventura eletrizante de Sherlock Holmes e uma capa vermelha encadernada, está inextricavelmente ligado a uma carteira escolar do Colégio Estadual, escondido sob o caderno de latim; em vez de decorar declinações, como devia, eu acompanhava a lógica implacável do detetive decifrando a palavra “rache”, escrita com sangue na parede do quarto onde jazia um cadáver. Às vezes as lembranças vêm em duplas: Os irmãos Karamazov, de Dostoiévski, e Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez estão ambos no mesmo compartimento da memória: um alojamento da Escola de Marinha Mercante, no Rio de Janeiro, em 1971, em leituras noturnas durante a guarda da meia-noite às quatro.

Outra dupla marcante foi a dos livros O senhor das moscas, de William Golding, e O deserto dos tártaros, de Dino Buzzati – eles não têm absolutamente nada em comum, exceto o fato de terem sido comprados no mesmo dia e devorados na mesma semana, numa casa de madeira à beira da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, em 1984. Tão forte foi a impressão dessas duas obras-primas que até hoje, sempre que penso em uma delas, me lembro da outra. O livro de Golding refez meu imaginário romântico sobre as crianças; e o de Buzzati colou-se à minha alma como uma metáfora da universidade, em que eu entrava naquele ano como professor auxiliar.

O romance A consciência de Zeno, de Ítalo Svevo, está indissoluvelmente ligado na minha memória à cidade de Antonina e às minhas tentativas de deixar de fumar, já aos 20 anos, como um velho precoce. Também de lá vem a lembrança de O imoralista, de André Gide – um pequeno livro de bolso ensebado da editora Bruguera, e com ele nas mãos ouço a voz do mestre barbudo W. Rio Apa, comparando-o com O estrangeiro, de Albert Camus, lido à mesma época. Infância, de Graciliano Ramos, vem à memória num trem para Morretes, lido num vagão de segunda-classe com os bancos vermelhos de ripas, que deixavam o traseiro do freguês igual a uma carambola.

A trilogia Sexus, Nexus e Plexus, de Henry Miller, comprada num sebo, me lembra a escada do prédio de casa, que subi de quatro em quatro degraus, para devorá-los às escondidas – naqueles tempos inocentes, sexo se aprendia com literatura.

*Cristovão Tezza, escritor catarinense radicado em Curitiba. O texto Leituras, publicado originalmente na coluna de Tezza no jornal Gazeta do Povo (Edição de 07/07/2009), foi sugerida à seção Ler faz crescer pelo próprio autor.


Gestão medíocre

Posted in Brasil às 17:44 por sidneif

Em meio a tanta desmoralização, governo e Congresso prepara mais um presente de grego à população.Trata-se de uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2010. A LDO estabelece as regras que  devem ser observadas na elaboração da Lei Orçamento Anual (LOA).

A novidade é em relação ao artigo 110 da LDO, no qual se define o teto  de preços de produtos e serviços orçados por empreiteiras. Até então, cada preço unitário tinha de ser “igual ou menor” do que a mediana do Sistema Nacional de Preços e Índices da Construção Civil (Sinapi). Eis que agora, o governo substitui  os termos  “igual ou menor”  por ” com base”.

A “singela”  modificação complica o trabalho do Tribunal de Contas da União (TCU).  Com uma definição tão vaga para os preços, o TCU fica sem seu principal norte para a fiscalização de obras.  Ou seja, a gastança está garantida.

Nada mais natural para a maioria da classe política brasileira que tem ojeriza à gestão eficiente – exceção feita àquela a qual o privilegia. A Lei de Responsabilidade Fiscal, então, soa como blasfêmia aos ouvidos desse tipo de adminstrador público.

A ordem é abrir a carteira (nossa), fazer obras  e  despesas sem limite – na maioria desnecessárias, mal planejadas ou são subterfúgios para a corrupção.  Ato contínuo, sobejo a dívida  da vúva aumenta.  E qual a solução mágica dos nossos governantes para manter suas gastanças?

Empurra-se o rombo para a próxima administração. E quando não for possível fugir da raia, o que fazer?

Impostos. Mais impostos.  Quando se falar que o país tem a maior carga tributária do mundo, pense como nossas autoridades gastam o se dinheirinho. Pois gestão medíocre precisa de impostos nas alturas. Aí, nosso bolso sente o rombo na hora de ir ao mercado, quando compra uma simples camisa…

A LDO está para ser voltada hoje. o TCU já externou seu repúdio à proposta. Mas nosso presidente Lula tem grande interesse na mudança, assim como boa parte do Congresso. Afinal, 2o1o é ano de eleição, é preciso estar na vitrine. Dane-se o nosso bolso.

14 de Julho de 2009

O poder do livro

Posted in Ler faz crescer às 18:08 por sidneif

Por ALINE MUNIZ*

Na verdade eu tenho alguns livros que estão na minha lista dos melhores.

É realmente impressionante o poder que o livro tem.

Quando você se envolve com a história fica naquela situação de não querer largar o livro por nada.

Isso já aconteceu comigo algumas vezes…

A última, eu estava em Istambul lendo  A menina que roubava livros (de Markus Zusak; Intrínseca) e quase deixei a viagem passar sem que eu percebesse!

Toda vez é assim. Eu fico pensando nos personagens como se eles estivessem vivendo de verdade.

Acho que herdei essa vontade de ler da minha mãe (a atriz Angelina Muniz) que é uma “devoradora” de livros.

A leitura é um hábito que deveria ser incentivado principalmente pelas famílias.

Eu não abro mão de ter um livro nas mãos!!!!

Cada pessoa só deve encontrar o livro certo para ler e nessa busca você vai pegando gosto pela coisa.

A leitura enobrece!

*Aline Muniz, cantora, voz das mais belas da nova geração, como se constata em seu álbum de estreia Da pá virada.

Página seguinte