25 de Maio de 2009

O capitalismo na berlinda

Posted in Mundo às 19:02 por sidneif

A crise econômica que domina o mundo suscita discussões acerbas sobre o destino do capitalismo. Seus críticos arvoram  todos os seus  defeitos, os mais açodados acreditam no fim da era capitalista. Os apologistas empedernidos da economia de mercado ignoram as falhas do sistema, os defensores mais sensatos falam em maior regulação do mercado.

A busca incessante pelo lucro é marca indelével e excruciante do capitalismo. Sem limites, o mercado atropela a ética, não enxerga natureza social, leva o individualismo ao extremo. Mas tal sistema econômico é único capaz de produzir riqueza, investimentos, garantir emprego ao cidadão. Mercado ativo sempre é sinal de demanda por postos de trabalhos. Trabalhador qualificado sempre terá espaço.  A despeito de sua visão em prol do lucro sem restrições, o capitalismo é o grande responsável pelos grandes avanços da humanidade. 

Engana-se quem acredita que o Estado seja capaz de atender todas as necessidades do cidadão. Este precisa de educação e emprego, aquele tem obrigação de oferecer escola de qualidade, mas é limitado para oferecer mão-de-obra porque não produz. E nem deve. Seu papel é gerenciar os recursos auferidos pelos impostos, transformando todo esse capital em educação, saúde, infraestrutura.

O socialismo, tão defendido pelos críticos do capitalismo, já demonstrou suas fraquezas na antiga União Soviética  e na China.  Na primeira, a mão de ferro dos seus lídere autoritários é  que lhe denotava “grandeza”. Na realidade sua economia era frágil, não resistiu à falta de iniciativa privada. O Estado, dono dos meios de produção, era desprovido de condições para modernizar suas empresas. O resultado foi um aluvião de empresas sucateadas. Na terra de Mao Tse-tung, a inépcia do Estado em conduzir a economia também foi patente. A diferença é que  a partir da administração do presidente Deng Xiaoping, a China se preparou para mergulhar na economia de mercado. O ruim foi que seu autoritarismo não arrefeceu, transformando aquele país numa aberração econômica – o pior do capitalismo com o caráter ditatorial do socialismo.

E como barrar a face voraz do capitalismo e poder desfrutar da sua extraordinária capacidade de produzir bens e avanços?

Regras é a resposta. Sociedade sem regras que definam limites não sabe ser justa. Em nome de sua ambição, o ser humano  é capaz de ignorar o mal que possa causar a outros, a sociedade amparada em regras pode redimi-lo.  O mercado  desconhece a fronteira entre o certo e o errado, regras que freiem a cegueira capitalista  também podem  redimi-lo.

O Estado deve viabilizar a regulação do mercado. O interesse público o credencia para isso. Mas sua relação com o mercado precisa ser de equílibrio, não pode haver ascendência de um sobre o outro. Estado não produz, ele garante infraestrutura a quem o faz e protege o interesse público. O mercado produz,  ele tem a obrigação de levar as palavras responsabilidade e gestão mais a sério, esquecer a enfermaria do poder público.

Não é facil domar a sanha capitalista. Todavia, um bom começo é o empresário e o cidadão comum mudarem a visão paternalista que alimentam do Estado. Ao empresário, cabe ao poder público criar condições justas para produzir. E ao cidadão comum, oferecer educação e  saúde .

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18 de Maio de 2009

As faces do voto

Posted in Brasil às 15:50 por sidneif

O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), então membro do Conselho de Ética da Câmara e relator do caso Edmar Moreira e seu castelo, ganhou notoriedade  pela pérola  “estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege”. Mal sabíamos que ele existia. Nem por isso, podemos deixar de fazer uma reflexão sobre sua visão da opinião pública.

Um político que se elege à revelia da opinião pública tem em seu  eleitorado dois tipos de votos. Um é representado pela miséria. Pessoas em situação desesperadora, sem terem o que comer, longe de possuirem moradia, saúde e educação dignas, vivem sem acesso à informação – normalmente, estão em regiões nas quais os meios de comunicação pertecem ou obedecem a políticos. Sua condição precária é explorada insidiosamente nas eleições. Políticos inescrupulosos  sempre se apresentam com um cardápio de promessas que não se cumprem e verdadeiras esmolas que apenas aliviam por pouco tempo o sofrimento do indigente.

A outra face do voto abrange aqueles que apenas apostam em vantagens, possuem interesses distantes da ética e da boa gestão pública. Trocam o voto por qualquer mimo, uma prebenda ou um acesso facilitado ao erário. Encontram respaldo de políticos não menos sanguessugas, e o poder público vira uma máquina de mordomias e enriquecimento pessoal.

Opinião pública séria, com acesso à informação, importa-se sim com a conduta dos seus eleitos, repele qualquer ilicitude. Entretanto, a opinião pública brasileira dita séria precisa sair do comodismo, praticar e cobrar discernimento e ética.

Estado de espírito

Posted in Ler faz crescer às 14:39 por sidneif

Por MAGIC PAULA*

A leitura é algo que pode ser estimulada. Eu acredito que no meu caso se deve ao exemplo dos meus pais, já que era muito comum eu me deparar com meu pai lendo jornal e minha mãe um livro.
Eu me identifico muito com leituras em que me façam crescer como pessoa. A minha sede é estar em busca do aprendizado, talvez por isso não sou muito chegada em livros de ficção. Tenho costume de ter três ou quatro livros na cabeceira da minha cama, pois ler pra mim é um estado de espírito.

*Magic Paula (Maria Paula Gonçalves da Silva), ex-jogadora de basquete, campeã mundial(1994), medalha de prata nos jogos olímpicos de Atlanta(1996), responsável, junto com a irmã Branca (também ex-jogadora de basquete) pelo projeto social Passe de Mágica.

7 de Maio de 2009

Ler faz crescer

Posted in Ler faz crescer às 14:09 por sidneif

Em breve, o blog apresentará a seção Ler faz crescer.

Trata-se de um espaço para expor a relação das pessoas com a leitura, enaltecer a importância de um livro, seu poder de mexer com aquelas, despertar-lhes  interesses, “abrir-lhes” o mundo, “reinventar-lhes” a vida.

Aqui contemplaremos pessoas de todas as classes e realidades contando sua experiência com a “arte de ler”.

Cultura da decoreba

Posted in Educação às 13:56 por sidneif

Sou fã de palavras cruzadas. Uma das que resolvia trazia o seguinte enigma: o desejo daquele que estuda. Resposta: saber. Não me parce que a realidade confirme tal relação.

Estudar passa longe do “querer saber”. A escola é tão somente uma obrigação, um compromisso maçante que se tem com os pais – passar de ano .  Se o aluno for esperto garante seu sucesso nos três primeiros semestres. Ato contínuo, o último pode displicentemente  ignorar. E passar significa assistir às aulas, fazer atividades corriqueiras, esperar a marcação da prova – ordinariamente, um festival de “assinale a correta” ou de somatórias-, iniciar a famigerada decoreba. 

Ignora-se o grande objetivo da escola, o qual é aprender a pensar – notas são consequências. As disciplinas não ultrapassam  o limite do material didático, pouco se estimulam leituras complementares ou suplementares. Provas dispensam cada vez  mais  a ideia de escrever, deixam de incentivar a capacidade do aluno de argumentar. Professores restringem erroneamente  o desenvolvimento da escrita às aulas de redação. Matemática vira um caldeirão de fórmulas, sopinha de letras e números. É como essa disciplina fosse  apenas um exercício mecânico – parece Charles Chaplin no filme Tempos Modernos (1936) -, dispensando qualquer reflexão. 

A escola perde tanto em relevância para os alunos que a prática abjeta da cola tornou-se coisa das mais cediças. Como se isso não fosse ilícito, usam-no indiscriminadamente ( que valores cultuam as crianças? Se for conveniente para mim, então é válido),  se render sucesso na avaliação, missão cumprida. 

Mudar a cultura da decoreba exige esforços dos pais, professores, bibliotecários  e demais profissionais da escola. É hora de pais mais comprometidos com a educação dos filhos ( valores morais e responsabilidades)  e participativos da vida  escolar dos filhos; professores didaticamente menos conservadores e com raízes na nobre missão de ensinar, bibliotecarios mais participativos e  integrados ao cotidiano da escola ( biblioteca não pode ser apenas um depósito de livros); pedagogos menos reféns de Piaget;  diretoria atuante em busca da melhoria do ensino, sem medir esforços para oferecer infraestrutura aos seus  profissionais e destes,  como consequência, cobrar  resultados.

Estudar ultrapassa a sala de aula, exige determinação e interesse do aluno. Exige também pais e escola atuantes e sobremaneira comprometidos com a educação.