28 de Abril de 2009

Conflito israelo-palestino e o segredo do poder

Posted in Mundo às 14:34 por sidneif

Lideranças ultraconservadoras de Israel não aceitam ceder aos palestinos. O grupo terrorista Hamas, vitorioso nas últimas eleições palestinas, brada o mesmo discurso. Resultado da contenda: milhares de vidas ceifadas pelos ataques da organização palestina e pelo revide não menos impiedoso de Israel. Ambos assumem a carnificina, como meio de se defender e manter a soberania do seu povo. O culpado é outro lado.

Mas não há culpados. Não há inocentes. Há dois povos incessantemente manipulados. A luta pelo poder movimenta as peças do xadrez do oriente médio.

É claro que o temor e a necessidade de se defender dos judeus são compreensíveis. Ninguém pode ignorar o hecatombe que foi o Holocausto. Támbem é legítimo o desejo dos palestinos de possuir seu território. A criação do Estado palestino é uma necessidade premente e justa assim como foi o de Israel no final da segunda guerra mundial. Não se pode ignorar esses árabes ou tentar aninhá-los em qualquer outro país daquela região ( já basta o erro de Winston Churchil , ex-premier britânico,  quando numa canetada resolveu reunir à força etnias tão diversas sob a bandeira do Iraque).

Mas as razões de cada parte é apenas nota de rodapé num discurso alinhavado( de ambas a s partes) para  alimentar o ódio e o temor. E assim lideres interessados no poder  estufam o peito e bradam: eles são o mal, nós a solução.

É o mesmo expediente usado pelos aitolás no Irã, pelos terroristas do Al Qaeda, por Fidel Castro, Hugo Chaves e seus seguidores na América do Sul, pelos Estados Unidos em diversas situações e por todos os ditadores.

A solução para palestinos e judeus está na idéia de aceitar as diferenças. Há quem ache isso utópico, discurso bom no papel e ótimo para declarações politicamente corretas. Mas é o caminho a ser seguido. E assim rechaçar lideranças obtusas que se perpetuam cultivando o temor, o ódio, a indiferença.

Caminho que o maestro Daniel Barenboim, argentino, ascendência judaica, percorre com a West-Eastern Divan Orchestra. Uma parceria de Barenboim com o intelectual palestino Edward Said, a orquestra reune jovens músicos  árabes e judeus. Diferenças lado a lado convergindo para o espetáculo da música clássica.

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24 de Abril de 2009

Ética no lixo

Posted in Brasil às 15:37 por sidneif

O poder legislativo eivado de escândalos, e o discurso antidemocrático aparece. Não há idéia mas estapafúrdia do que pedir o fechamento do Congresso, Solução típica de ditaduras. Engana-se quem acredita que sob a mão de ferro dos regimes autoritários não existe chance de ilicitudes. Existe o silêncio, a mordaça que escondem falhas e minam qualquer questionamento. 

É mais sensato termos mais responsabilidade sobre o  voto, acompanharmos  as atitudes de quem elegemos. Não fazer do voto uma mera e aborrecida obrigação ( ou um meio de ganhar alguma vantagem pessoal).

Importante também é não perder a indignidade. Todo mau uso do erário é mau uso do nosso suado dinheiro. Desdenhar ou conformar-se com tanto descaso é assumir que somos passados para trás, enganados como trouxas.

Num pais que se cultua tanto o “ser esperto”, nada mais paradoxal. Aliás, “ser esperto” é o nosso veneno. Desprezamos demais o mérito, o esforço, a determinação. Louvamos demais a malandragem, o jeitinho de conseguir as coisas – não importa se há ilicito, se nos beneficia qualquer atitude é aceita.

Jogamos a ética no lixo. Qualquer éxito é relacionado a maracutaia. Mesmo que não  haja nada de errado, não aceitamos que algo possa dar certo nesse país sem jogar sujo.

23 de Abril de 2009

Notas e aprendizagem

Posted in Educação às 11:33 por sidneif

Meu amigo Diego Abadan em seu comentário sobre o texto Cotas da desigualdade assinala estudos que evidenciam notas altas dos alunos agraciados pelo sistema de cotas. O motivo do sucesso estaria no fato da determinação destes em  aproveitarem a grande oportunidade.

Determinação, com efeito, significa impulso essencial aos estudos (como em qualquer outra atividade). Simplista, entranto, soa a ideia de que o fracasso dos alunos  seja intrinsicamente resultado de sua própria desídia. Há aspectos que devem ser considerados.

Lamentavelmente,  notas altas nos cursos não  significam apredizagem. Uma reportagem da revista Veja, de alguns anos atrás, destacava o fraco desempenho dos alunos do provão – mesmo em cursos badalados e concorridos. Os altos conceitos dos cursos se sustentavam em outros requisitos (infrastrutura, corpo docente etc). Outro exemplo é a baixa aprovação dos graduados em Direito no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Algo precisa ser repensado nos cursos superiores. Registre-se que o hiato entre notas e aprendizagem aparece desde o ensino fundamental e médio.

É claro que não se pode apenas desconsiderar o bom desempenho de alunos egressos de escola pública. Estes, cabe salientar,  além da preciosa determinação, dispõem de outras virtudes e requisitos. Todos somos inteligentes. Todos. Não se pode negar, porém,  a facilidade de aprendizagem de alguns. Os demais possuem capacidade de aprendizagem, entretanto, necessitam desenvolvê-la melhor. E não é com a pífia qualidade observada nas escolas públicas que isso acontecerá. O bom aluno da escola pública ainda se beneficia de uma boa biblioteca ( é  vergonhoso constatar que muitas escolas do país não a têm), pais cientes da relevância dos estudos ( incentivam, acompanham, cobram),alguns  abnegados professores . 

Para terminar: é difícil pensar em alunos bem preparados quando se toma conhecimento do vexatório desempenho dos professores na avaliação feita pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo – muitas notas baixas e um número surpreendente de provas zeradas. Os professores são muito desvalorizados, bradam muitos. E é uma verdade inconteste. Entretanto, será apenas o poder público o grande vilão do caos da educação? 

Pais que consideram o ensino algo menor – faltar a escola é prefeitamente aceito,  pouco se interessam em acompanhar a vida escolar dos filhos, conversar com os professores-,  não assumem a educacação dos filhos, transformando-os em insolentes e desidiosos. Professores que faltam copiosamente e exibem descompromisso com a aprendizagem dos alunos. Parece que a reposta à pergunta acima é bem mais complexa.