16 de Março de 2009

Cotas da desigualdade

Posted in Educação às 18:03 por sidneif

Está no Senado projeto sobre cotas nas universidades federais. O texto do projeto –  já aprovado na Câmara – determina que metade das vagas dessas instituições seja destinada a pretos, pardos, índios e pobres egressos do curso médio de escolas públicas.

As justificativas para tal iniciativa já são demasiado conhecidas: as iniquidades cometidas contra os negros e índios durante tantos séculos, a falta de oportunidades aos pobres.

Qualquer gesto fundamentado na inclusão social é salutar e necessário. Ainda mais em sociedades ( como a nossa) de desigualdade social tão gritante. Todavia, opta-se pelo caminho errado. Escolhem-se o assistencialismo barato (quando não eleitoreiro),  a solução mais vistosa, imediatista, mas de resultados efêmeros e consequências desastrosas.

Acesso a uma universidade, assim como a um posto de trabalho, deve ser conquistado pelo mérito. Palavrinha pequena, mas de valor incomensurável para qualquer sociedade dita equânime. Igualdade não se conquista afrontando direitos alheios, nem criando dependentes (ou acomodados) do Estado.

E mérito para entrar na universidade significa apresentar boa formação escolar, requisito que passa longe das escolas públicas. Aluno de formação irregular numa universidade tem dificuldades imensas para acompanhar as aulas, e torna-se ( quando não desite do curso) um profissional de baixa qualidade. Então, surge o famoso discurso: mercado de trabalho ínfimo, o curso não vale nada.

Boa formação escolar também não está associado a cor de pele. Usar cotas para Inserir negros na unversidade é lhes tirar a dignidade. Ou são inferiores, despossuídos de capacidade intelectual, por isso, precisam de cotas?

Não, os negros precisam de respeito. Respeito que não vai chegar dessa forma. Pelo contrário. O fato de perder a vaga por causa da cor , além de evidenciar desigualdade, despertará ( ou intensificará) o preconceito de muitos. E o pretenso propósito de fazer justiça aos negros os deixará mais seviciados.

A bandeira a ser arvorada é da busca pela qualidade do ensino publico (fundamental e médio).  Estado, professores, a sociedade, todos comprometidos com a educação. É um direito de todos, do negro, do pardo, do índio, do pobre.

Ensino público de qualidade é a certeza de negros, pardos, índios e pobres com dignidade, altivez, vencedores pelo mérito, não pelo rótulo de coitados.

Anúncios